Sexta, 22 Abril 2016 11:01

Formação para Fraternidade: 1º Artigo da Regra da OFS

 

 

Texto de: Antônio Benedito Bittencourt, OFS

TEMA: RECÍPROCA COMUNHÃO VITAL

 ARTIGO 1° DA REGRA DA OFS

1)      CANTO INICIAL ( a escolher canto vocacional)

2)      ORAÇÃO INICIAL: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Dirigente: Irmão, a nossa vocação é o maior de todos os benefícios que recebemos e diariamente continuamos a receber  do nosso benfeitor, o Pai das misericórdias (2Cor.1,3)

Leitor 1: Pelos quais devemos render infinitas graças.

Todos: A nossa vocação é o maior de todos os benefícios recebidos do Pai das misericórdias.

Leitor 2: Quanto mais perfeita e sublime ela é, tanto mais dEle nos tornamos devedores: conhece tua vocação.

Todos: A nossa vocação é o maior de todos os benefícios recebidos do Pai das misericórdias.

Dirigente: O Filho de Deus fez-se nosso caminho (Jo 14,16), como nos mostrou e ensinou pela palavra e pelo exemplo o nosso bem-aventurado Pai São Francisco de Assis, seu apaixonado imitador.

Leitor 1: Devemos, pois, irmãos e irmãs caríssimos, considerar os imensos benefícios que  o Senhor nos concedeu.

Todos: O Filho de Deus fez-se nosso caminho.

Leitor 2: Principalmente os que por intermédio do nosso bem-aventurado Pai Francisco nos prodigalizou.

Todos: O Filho de Deus fez-se nosso caminho

Leitor 1: Não só depois de nossa conversão, mas mesmo quando ainda estávamos nas novidades do “século”.

Todos: O Filho de Deus fez-se nosso caminho.

Dirigente: Com efeito, o nosso santo, quando ainda não tinha irmãos nem companheiros, pouco depois da sua conversão, estando a reconstruir a Igreja de São Damião, onde, plenamente possível pelas divinas consolações, foi compelido a abandonar radicalmente o mundo, iluminado pelo Espírito Santo, profetizou, com grande alegria, a nosso respeito, tudo o que mais tarde o Senhor veio a confirmar.

Leitor 1: Nisto podemos, pois, ver a bondade de Deus para conosco o qual,em sua grande misericórdia, se dignou manifestar tais coisas sobre a nossa vocação eleição através de seu santo.

TODOS: Assimvemos a bondade de Deus para conosco.

Leitor 2: E o bem-aventurado Pai não profetizou estas coisas soa nosso respeito, mas de todos os que no futuro viessem a abraçar a vocação a que o Senhor nos chamou.

Todos: Amém.

Canto: Irmão Francisco se fez.....

TEXTO PARA MEDITAÇÃO E ESTUDO:

               Como acabamos de rezar com Santa Clara, é fundamental sabermos que a base da nossa vida é o fato de sermos chamados por Deus.

              Nesta partilha, Irmãos e Imãs, sobre o primeiro artigo de nossa Regra, encontramos, já em primeiro plano, vários elementos que são alicerces de nossa vida Franciscana Secular. O primeiro deles é o dom da vocação que Deus, em primeiro lugar deu a Francisco de Assis e, lhe indicando o caminho, o ensinou como deveria viver segundo sua vontade o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo; como bem vemos nas palavras de São Francisco:  

Todos: FOI ASSIM QUE O SENHOR ME CONCEDEU A MIM, FREI FRANCISCO, INICIAR UMA VIDA DE PENITÊNCIA: COMO ESTIVESSE EM PECADO, PARECIA-ME DEVERÁS INSUPORTÁVEL OLHAR PARA LEPROSOS. E O SENHOR MESMO ME CONDUZIU ENTRE ELES E TIVE MISERICÓRDIA COM ELES. E ENQUANTO ME RETIRAVA DELES, JUSTAMENTE O QUE ANTES ME PARECIA AMARGO SE ME CONVERTEU EM DOÇURA DA ALMA E DO CORPO E ABANDONEI O MUNDO ...E DEPOIS QUE O SENHOR ME DEU IRMÃOS NINGUÉM ME MOSTROU O QUE EU DEVERIA FAZER, MAS O ALTÍSSIMO MESMO ME REVELOU QUE EU DEVERIA VIVER SEGUNDO A FORMA DO SANTO EVANGELHO. E EU O FIZ ESCREVER COM POUCAS PALAVRAS E DE MODO SIMPLES E O SENHOR PAPA MO CONFIRMOU (Test. 1-3; 14-15).

                Francisco reconhece que o Senhor mesmo concedeu sua vocação. É fundamental para nós vermos neste chamado, o chamado que cada um, após nosso Pai Seráfico, recebeu de Nosso Senhor como forma de realização pessoal, comunitária (na Fraternidade), social e eclesial; como vida a ser vivida no dia a dia, nos diversos lugares onde nos encontramos: família, Fraternidade, Igreja, trabalho, lazer etc. O testemunho do nosso jeito de seguir a Jesus, mostrando nosso próprio Carisma Franciscano, é o nosso chamado a vivermos no mundo a fé, esperança e caridade; levando aos homens de hoje, não só palavras bonitas, mas a concretude de uma vida nova em Deus e com Deus neste mundo e o quanto podem ser felizes vivendo assim.

Todos: “Parece... que jamais houve homem algum em quem brilhasse mais viva a imagem de Jesus Cristo e em quem fosse  mais semelhante a forma evangélica de viver do que em Francisco. Por isso, ele, que se havia denominado o “Arauto do Grande Rei”, foi com razão proclamado um “Outro Cristo”, por se ter apresentado aos contemporâneos e aos séculos futuros como um Cristo redivivo; como tal ele vive ainda hoje aos olhos dos homens e continuará a viver por todas as gerações futuras” (Enc. Rite Expiatis, 30.4.1926; AAS 18, 1926,p 154)

                 Do Senhor Francisco aprendeu uma forma de vida. A nossa forma de vida. Com grande ardor, ele, como os seus primeiros companheiros, deram testemunho. Esta forma de vida que chamamos carisma proporcionou a Francisco uma família; a qual recebe o nome de Família Franciscana da qual fazemos parte como membros a Ordem Franciscana Secular, juntamente com os Frades da Primeira Ordem: Frades Menores, Conventuais e Capuchinhos, as Irmãs Clarissas e Concepcionistas da segunda Ordem e as Congregações masculinas e femininas da Ordem Terceira Regular. Todos, juntos, desejamos e queremos trabalhar e, dentro da comunhão vital que temos, tornar este carisma, comum do Seráfico Pai São Francisco, presente  na vida e na missão da Igreja.

Todos: Assim nos falou o Beato Papa Paulo VI Breve Apostólico “ Seraphicus Patriarcha”:  Alegro-me, portanto, porque o “carisma franciscano” conserva vigor ainda hoje, para o bem da Igreja e da comunidade humana, apesar do serpejar de doutrinas acomodatárias e do crescimento de tendências que afastam os homens de Deus e das coisas sobrenaturais”

                   Até hoje nossa Família Franciscana é numerosa, com tantos membros, formamos uma família espiritual. Nosso estilo de vida não nasceu da vontade de um “homem”, mas da ação do Espírito Santo na Igreja. É um desafio para todos nós, Franciscanos Seculares, Frades, Freiras, manter viva a chamada da comunhão de vida que nos impulsiona a dar a nós, ao mundo e a Igreja o dom de sermos e vivermos como franciscanos. Não que sejamos melhores do que os outros, mas porque temos esta missão: enriquecer o mundo com os valores do Evangelho como Francisco de Assis. Desde os primórdios do carisma franciscano, o ser família é nosso fundamento de vida, pois Francisco queria que todos nos sentíssemos e vivêssemos como irmãos e irmãs, mas que nos amassemos como mães -que cuidam e protegem seus filhinhos. Daí que a Ordem Franciscana Secular é a nossa Família Espiritual, e portanto, devemos ter comunhão, partilha, participação, prioridades na vivência das reuniões, capítulos, retiros e outras ações; bem como a nossa Família Franciscana Secular é membro da grande Família Franciscana, na qual teremos nossas obrigações de comunhão e participação vital.

Todos: “Se alguém, por inspiração divina, quiser abraçar este gênero de vida e for ter com nossos irmãos, esses o recebam carinhosamente. E se estiver firmemente decidido a adotar nosso gênero de vida... apresentem-no quanto antes ao seu ministro. O ministro o receba carinhosamente, conforte-o e lhe explique diligentemente em que consiste o nosso gênero de vida” (RNB 2, 1-3; RB 2,1)

                   O Senhor nos chamou para a vivência do nosso carisma na Igreja. Francisco mesmo pediu aprovação do Papa para a sua Família. Nestes mais de oito séculos de aprovação do carisma franciscano, a Igreja o vê como ação do Espírito Santo em prol do bem da mesma Igreja; sempre procurou auxiliar, as diversas Ordens, na plena vivência do mesmo carisma.

Todos: Nós, seguindo o exemplo de alguns de Nossos Predecessores, dos quais Leão XIII o fez por último, decidimos, de boa vontade, aceder a esses pedidos. Dessa maneira, Nós (Paulo VI), confiando que a forma de vida pregada por aquele admirável Homem de Assis, receberá um novo impulso e florescerá com vigor, depois de ter consultado a Sagrada Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares, que examinou diligentemente o texto apresentado, tendo ponderado tudo atentamente, com segura ciência e madura deliberação Nossa, aprovamos e confiamos, com Nossa Apostólica Autoridade, em virtude destas Letras, a Regra da Ordem Franciscana Secular e lhe acrescentamos o vigor da Sanção Apostólica”... (Beato Papa Paulo VI Breve “ Seraphicus Patriarcha”;24/06/1978)

              A Igreja entendida como um corpo com seus diversos membros, tem na Família Franciscana um membro importante. Os membros são diversos, mas um mesmo é o Espírito. Assim, dentro da diversidade de Carismas que encontramos na Igreja: Beneditinos; Dominicanos; Agostinianos; Jesuítas; etc...etc.... a Família Franciscana tem sua missão. São membros do Povo de Deus: leigos, religiosos e sacerdotes, homens e mulheres que se sentem chamados, enamorados e amantes de Jesus que, por tal amor querem segui-lo, como fez, e do jeito de São Francisco de Assis. Não há Franciscano (a) sem se sentir membro da Igreja Católica. Francisco amou profundamente sua Igreja.

Todos: Todos os homens são chamados a formar o novo povo de Deus. Por isso, este povo, permanecendo uno e único, deve dilatar-se até os confins do mundo e em todos os tempos, para se dar cumprimento ao desígnio de Deus que, no princípio, criou a natureza humana uma e estabeleceu congregar finalmente na unidade todos os seus filhos que andavam dispersos (cf. Jo 11, 52) Para isto mandou Deus o seu Filho, aquém constituiu herdeiro de todas as coisas (cf. Hb 1,2), para ser o Mestre, o Rei e o Sacerdote de todos, a cabeça do povo novo e universal dos filhos de Deus, Para isto, enfim, mandou Deus o Espírito do seu Filho, o Espírito soberano e vivificante que é para toda a Igreja e para todos e cada um dos crentes, o princípio da união e unidade na doutrina dos Apóstolos, na união fraterna, na fração do pão e nas orações (cf. At 2,42, Gr) (Lumen Gentium 13)

             No entanto, nossa vivência primeira na Igreja é de vida evangélica. Nossa vida apostólica é o testemunho de vida, vivência eclesial primeira. Como agentes nas diversas pastorais, agindo equilibradamente entre a vida na Ordem e o assumir encargos pastorais, devemos buscar como franciscanos duas coisas: fazer e desempenhar o que ninguém quer fazer; o de sermos presença de cristãos adultos na fé conduzindo outros cristãos a se integralizarem na vida da Igreja, percebendo que não somos os donos da Paróquia, ou dos encargos, somos meros servos inúteis nas mãos do Senhor; estando disponíveis para deixar e assumir outros cargos. Não esqueçamos que a vivência das atividades da Ordem é importantíssima, tanto quanto a pastoral, no que devemos conciliar as atividades pastorais para não nos retirarem da comunhão com as nossas Fraternidades. Lembremos da nossa vocação primeira. Desta forma, fazendo bem feito poucas pastorais (de preferência uma bem feita) e tendo plena participação como membro de uma família religiosa da qual é sumamente importante minha participação, estaremos na plenitude da vida eclesial – como Irmão e Irmã da Ordem Franciscana Secular agindo como cristão adulto no meio dos irmãos em Cristo.

Todos: A Igreja não está no mundo para condenar, mas para promover o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso aconteça, é necessário sair. Sair das igrejas e das paróquias, sair e ir à procura das pessoas onde elas se encontram, onde sofrem, onde esperam. (Papa Francisco,  2016)

             Após estas reflexões de vida que nos dá o Artigo 01 da nossa Regra, podemos concluir reafirmando em nós, franciscanos seculares, alguns pontos:

1)      A nossa vocação nasce da universal vocação à santidade; buscando a conversão do coração, sabendo que, assim, Deus os encherá de Si mesmo (Ele, o Santo) e que deverá ser realizado todos os dias.

2)      Nós devemos percorrer o mesmo caminho espiritual de Francisco de Assis no seguimento de Jesus Cristo. Tal caminho fazemos conjuntamente e em comunhão com os outros ramos da Família Franciscana, tornado vivo o nosso carisma nas nossas vidas, e na vida e missão da Igreja, que o próprio Espírito Santo suscitou na sua Igreja.

3)      Todos fazemos parte do Povo de Deus que é a Igreja. A Família Franciscana e seu carisma, dom para a Igreja de Cristo e para a sociedade de nosso tempo, é composta de homens e mulheres que sendo leigos, religiosos e sacerdotes, por seu encontro e amor a Jesus, se dispõem a seguir o Cristo do jeito de São Francisco de Assis, como meio de realização pessoal, social e eclesial.

4)      Queremos viver nossa vocação como cristãos adultos na Igreja. Com equilíbrio, e sem negligência, queremos viver nossas vida Fraterna em comunhão e participação com os nossos irmãos e irmãs fraternos; com amor entre nós de mãe que ama, cuida e nutre seus filhos, desempenhando ações pastorais que visem levar o Cristo a quem não o conhece, estimulando outros a viverem na Igreja, unicamente por Jesus e seu Reino.

          Concluindo Irmãos e Irmãs, queremos viver nossa vida franciscana sem perder nosso ponto de partida e chegada. Mas com pés firmes, vontade reforçada, amor absoluto, consciência renovada, seguir em frente vivendo com plenitude o chamado que o Senhor nos fez de reconstruirmos sempre sua casa – todos os homens de todos os tempos – com nosso jeito próprio de viver o Evangelho – à maneira que Deus deu a São Francisco de Assis.

 

PARA REFLEXÃO EM GRUPOS:

1)      O que é vocação franciscana para nós?

2)      Como devemos viver nossa vocação franciscana na Ordem, na Igreja, no “mundo”?

3)      Como está sendo nossa participação na vida da Igreja e qual é a nossa visão de como um franciscano deve atuar nas diversas pastorais paroquiais?

 

 ORAÇÃO FINAL A ESCOLHA DA FRATERNIDADE.

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