Quinta, 24 Março 2016 20:19

Quinta-Feira Santa: Eucaristia e Lava-pés traduzem partilha e serviço

 

Na quinta-feira santa, de manhã, o Bispo reúne o seu clero e o povo fiel para a Missa do Crisma. Momento importante da vida da Igreja. O Pastor está junto de seus colaboradores, os sacerdotes, os padres. O pastor com os pastores. Nesta manhã são abençoados os óleos para os batizados, para o sacramento da crisma e para a unção dos enfermos, sacramentos da vida, da vida que Cristo nos alcançou com sua paixão, morte e ressurreição. Nesta missa da manhã os sacerdotes renovam seus compromissos, manifestam o desejo de seguirem as orientações do Pastor e viver alegremente seu compromisso celibatário para o bem dos fiéis. Maravilhoso ver um clero idealista, unido ao Bispo e junto do Povo santo de Deus!

Ao cair da tarde, os fiéis se reúnem para a Ceia do Senhor. A Igreja prescreve alegria para esse dia: toalhas bonitas, paramentos brancos, flores, hino do Glória, alegria profunda. O Mestre dos olhos do infinito reúne os seus para a ceia do adeus. Antes há um gesto que desconcerta. Ele depõe o manto e, colocando uma toalha à cintura, lava os pés dos seus. Pedro resiste. Não quer aceitar. Mas o Mestre insiste. Só permitindo tal gesto Pedro poderá ter parte com Cristo. O Lavapés é quase um sacramental. As cerimônias desta tarde se passarão com solenidade, mas também despojamento. Dispensam-se muitos comentários. Os gestos falam mais do que as palavras. Jesus, na verdade, faria o verdadeiro lavapés no alto da cruz. O sangue do Salvador lavaria não nossos pés, mas haveria de nos purificar por inteiro, por dentro, lá no fundo de nosso ser gente.

Depois de lavar os pés, o Mestre retoma o manto e dá seu corpo e seu sangue. Corpo que é dado e sangue que é vertido. Festa do dom, do amor, festa antecipada. Somente no dia seguinte ele haveria de dar, efetivamente tudo, até a última gota de sangue. Veneramos com respeito imenso esse pão que dá vida e esse sangue que alimenta. Nossas missas não são espetáculos. Elas, na singeleza dos gestos, trazem para o hoje do mundo o corpo que é dado e o sangue que é vertido. Francisco tinha um carinho todo especial pela Eucaristia. “Nós vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igreja que estão pelo mundo inteiro e vos bendizemos porque pela vossa santa cruz remistes o mundo”.

A propósito do lavapés: “Pedro falou com bastante rudeza. Julgava bem, mas ignorando o modo como Deus age, foi por espírito de fé que recusou, mas, em seguida, obedeceu de bom coração. Na verdade é assim que o fiel cristão deve se comportar; não deve se obstinar em suas decisões, mas ceder à vontade de Deus. Pois se Pedro exprimiu sua opinião de maneira tão humana, arrependeu-se por amor a Deus” (Das homilias de Severiano de Gábala).

 

Temos todos um carinho extraordinário para com a Eucaristia. Desde a nossa infância aprendemos a olhar com adoração o sacrário e a experimentar paz imensa, na hora da comunhão, quando dizemos que não somos dignos de que o Senhor entre em nossa morada. Importante que saibamos valorizar o domingo, dia da Ceia do Senhor, dia de missa, dia em que a família vai ter com o Mestre. Queremos entrar em comunhão de destino com Cristo. Desejamos ardentemente comer esta ceia que nos revigora e nos robustece. Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, diz a liturgia. Pão, vinho, vida, história, doação, entrega, caridade, sacramento da caridade.

Texto: “Os passos da Semana Santa”. Frei Almir Ribeiro Guimarães. 

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