Quarta, 12 Junho 2019 13:45

Estudo da Regra em Fraternidade - Artigo 18

Artigo 18 da Regra da OFS

A FRATERNIDADE UNIVERSAL FRANCISCANA

Ambientação: 01 vela amarela, 01 vela azul, folhas secas, água, braseiro, terra, sementes, ervas, frutas, Cruz de São Damião, tecido branco, logo da OFS, Bíblia, Regra da OFS.

 

  1. ACOLHIDA E MOTIVAÇÃO

Animador (a): Irmãos e irmãs, paz e bem! Francisco de Assis, homem integrado na criação, irmão de toda criatura e de todo o cosmo, é um exemplo a ser seguido - de comunhão fraterna, de fraternal universalidade, de universal fraternidade. Motivados pela paz e o bem que emanam dessa espiritualidade, cantemos.

Canto: Cântico das criaturas

Ref.: Onipotente e bom Senhor a ti a honra, glória e louvor! Todas as bênçãos de ti nos vêm e todo o povo te diz: amém!

Louvado sejas nas criaturas
Primeiro o sol, lá nas alturas
Clareia o dia, grande esplendor
Radiante imagem de ti, Senhor

(Apresentar uma vela acesa na cor amarela)

Louvado sejas pela irmã lua
No céu criaste, é obra tua
Pelas estrelas, claras e belas
Tu és a fonte do brilho dela

(Apresentar uma vela acesa na cor azul)

Louvado sejas pelo irmão vento
E pelas nuvens, o ar e o tempo
E pela chuva que cai no chão
Nos dá sustento, Deus da criação

(Apresentar pequenas folhas secas)

Louvado sejas, meu bom Senhor
Pela irmã água e seu valor
Preciosa e casta, humilde e boa
Se corre, um canto a ti entoa

(Apresentar um recipiente com água)

Louvado sejas, ó, meu Senhor
pelo irmão fogo e seu calor
Clareia a noite robusto e forte
Belo e alegre, bendita sorte

(Apresentar um braseiro)

Sejas louvado pela irmã terra
Mãe que sustenta e nos governa
Todos os frutos, nos dá o pão
Com flores e ervas sorri o chão

(Apresentar um recipiente com terra, outro com sementes, outro com ervas e outro com frutas)

Louvado sejas, meu bom Senhor
Pelas pessoas que em teu amor
Perdoam e sofrem tribulação
Felicidade em ti encontrarão

(Apresentar a cruz de São Damião)

Louvado sejas pela irmã morte
Que vem a todos, ao fraco e ao forte
Feliz aquele que te amar
A morte eterna não o matará

(Apresentar um tecido branco)

Bem aventurado quem guarda a paz
Pois o altíssimo o satisfaz
Vamos louvar e agradecer
Com humildade ao Senhor bendizer

(Apresentar a logo da OFS)

  1. CONTEXTUALIZANDO A VIDA

Animador/a: Francisco e Clara de Assis, ao assumirem radicalmente o compromisso de sua vocação cristã em seu tempo, não só a viveram em uma dimensão humano-social ou religiosa-cristã. Ao assumirem o desejo ardente de saírem de si mesmos para irem ao encontro do outro e assumirem com o outro a concretude do Reino, fizeram com que cada um deles reconhecesse a fraternidade que os unia e os irmanava à toda a criação. Esse é o convite que nos é feito, conforme podemos ler e observar em nossa Regra e Vida.

Leitor (a): “Tenham, além disso, respeito pelas outras criaturas, animadas e inanimadas, que ‘do Altíssimo trazem um sinal’ e procurem, com afinco passar da tentação de sua exploração ao conceito franciscano da fraternidade universal. ” (Artigo 18, Regra e Vida da OFS)

(Pode ser lido por três vezes calmamente. Após cada leitura pode-se cantar: Altíssimo, glorioso Deus)

Canto: Altíssimo, glorioso Deus, ilumina as trevas do meu coração / Dá-me fé reta, esperança certa e perfeita caridade / para que eu cumpra sua santa vontade.

Animador/a: Senhor, abre nossos ouvidos e nosso coração para que possamos compreender tua Palavra à maneira de Francisco e Clara de Assis e, ao realizar a tua vontade e o teu projeto do Reino, experimentemos a alegria verdadeira. Por tudo isso, acolhamos com alegria a Palavra de Deus que se faz pão da vida eterna para nós.

(Fazer uma entronização da Palavra de forma que ela possa passar pelas mãos de cada participante)

Canto: Ref.: Eu quero agora o pão da Palavra / que alimentou Francisco e Clara (bis). - Nossa vida se transformará / mundo novo surgirá / Quando a Palavra que é luz / o mundo inteiro iluminar.

Leitor (a): Genesis 1, 1-31. Palavra do Senhor. T.: Graças a Deus!

2.1. Refletindo a vida franciscana: algumas possíveis perguntas norteadoras

- Como é possível ver os sinais do amor de Deus no Universo? Quais podem ser esses sinais?

- Como podemos construir a fraternidade com a outras criaturas, animadas e inanimadas? Nos sentimos parte da criação?

- O que me diferencia, na prática, como franciscano/a, das demais pessoas que veem a criação com um olhar mercadológico e envolto em interesse pessoal? Quando somos tentados a enxergar da maneira imposta por uma sociedade imposta por uma sociedade de consumo?

Canto: São Francisco, irmãos de todos

São Francisco que amava o sol, / que amava a lua, / que amava o povo porque amava Deus / que amava a flor, que amava o botão / e a todo mundo chamava de irmão / e a todo mundo chamava de irmão.

Meu irmão sol, minha irmã lua / irmã natureza, a terra e o mar / e todo mundo, toda criatura louve eternamente a Deus, nosso Pai.

São Francisco viveu na pobreza, deixou a riqueza / deixou a família e à deixou seus bens / sua família é o mundo inteiro / todos os que sofrem, os maus e os bons / todos que sofrem, os maus e os bons.

Meu irmão sol, minha irmã lua / irmã natureza, a terra e o mar / e todo mundo, toda criatura louve eternamente a Deus, nosso Pai.

  1. SENHOR, O QUE QUERES QUE EU FAÇA?

Diante do contexto refletido, quais ações concretas que podemos assumir a curto, médio e longo prazo, como Fraternidade de OFS?

  1. PRECES

- Por todas as vítimas dos grandes projetos mercadológicos e do consumo desenfreado. Que nossas Fraternidades superem a tentação de ver a criação como fonte de lucro que devasta a vida e fere o equilíbrio cósmico, nós te pedimos, Senhor; T.: Senhor, atendei a nossa prece!

- Por todos os povos originários e tribais que sofrem perseguição e são assassinados diariamente. Que nossas Fraternidades sejam verdadeiros sinais de teu acolhimento fraterno e predileção pelos pequenos do Reino em sua vida franciscana, nós te pedimos, Senhor;

- Pela restauração da Fraternidade Universal em nossas Fraternidades. Para que constituamos um testemunho cristão onde o amor e a fraternidade sejam premissas de nosso ser franciscano nos diversos espaços onde estamos presente, nós te pedimos, Senhor;

(Intenções livres)

Pai Nosso...

Canto: Louvados sejas, meu Senhor

Ref.: Louvado sejas, meu senhor (4x)

- Por todas as suas criaturas / pelo sol e pela lua / pelas estrelas do firmamento / pela água e pelo fogo.

- Por aqueles que agora são felizes / por aqueles que agora choram / por aqueles que agora nascem / por aqueles que agora morrem.

- O que dá sentido à vida / É amar-te e louvar-te / para que a nossa vida / seja sempre uma canção.

Ciranda da Vida: Convidar os presentes a dançar uma ciranda (canto da CF 2002)

 

MATERIAL DE APOIO:

- Canto: Cântico das criaturas: https://www.youtube.com/watch?v=L0voCega9Mw

- Canto: Altíssimo e glorioso Deus: https://www.youtube.com/watch?v=vRCJhPD_T84

- Canto: Louvado sejas, meu Senhor: https://www.youtube.com/watch?v=iyRWldbdyCY

- Canto: Campanha da Fraternidade 2002 – Uma só será a mesa – Ofertório: https://www.youtube.com/watch?v=0tnMDzMYkw8

 

TEXTO DE APOIO

A FRATERNIDADE UNIVERSAL FRANCISCANA

Aldo Luciano Corrêa de Lima1

Tenham, além disso, respeito pelas outras criaturas, animadas e inanimadas, que ‘do Altíssimo trazem um sinal’ e procurem, com afinco passar da tentação de sua exploração ao conceito franciscano da fraternidade universal.” (Artigo 18, Regra e Vida da OFS)

 

Entre as inúmeras formas que a humanidade atribuí para a criação do universo e por consequência a existência humana no cosmos, a nossa visão cristã remete para dimensão, que é teológica, e está além da construção do próprio, pois apresenta a humanidade figurada no “homem” como algo intrinsicamente vinculado ao seu criador, como nos aponta o livro do Gênesis: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Cf. Gn 1, 26).

Embora, equivocadamente, se costume fazer uma leitura literal em relação ao suposto domínio do ser humano sobre as outras criaturas, o que o texto nos apresenta é exatamente uma relação de semelhança profunda em relação à atitude do Criador para com a criatura. Se Deus, em seu amor, nos criou por e para o amor (CIC 27), seria óbvio que, ao nos conscientizarmos dessa semelhança e a acolhermos, nossa postura em relação aos demais irmãos e irmãs, feitos do mesmo pó cósmico, deveria ser a de uma profunda atitude de amor e de fraternidade. Algo que exemplificasse o vestígio do Criador em nós e que refletisse e se assemelhasse ao reflexo da Trindade, (MERINO, José Antônio & FRESNEDA, Francisco Martínez, 2005) como aquilo que foi vivido por Francisco de Assis, recordado como aquele que nos faz lembrar que nossa Casa Comum é nossa irmã (LS 1) e pela qual deveríamos devotar grande respeito, como nos aponta o artigo 18 de nossa Regra.

A alegria de Francisco de Assis é surpreendentemente profunda e verdadeira ao proferir “Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão sol...” e por todos os demais irmãos e irmãs, incluindo a morte corporal. Somente uma pessoa com extrema compreensão de sua semelhança às demais criaturas teria a sensibilidade de perceber o amor do Criador imbuído em suas essências, quer fossem animadas ou inanimadas. A essa relação de respeito e reconhecimento, alegre, sincera e profunda dá-se o nome de fraternidade universal, algo que na Encíclica Laudato Sì pode-se chamar de ecologia integral (LS 10). Ambas são sinônimas de um projeto de vida ofertado a toda a humanidade e, em especial, vocacionalmente, aos franciscanos e franciscanas do mundo inteiro. Projeto esse que se constitui “como testemunho ao mundo de que a fraternidade cristã pode ser vivida concretamente [...]”, restituindo “em toda a criatura o amor ao amor paterno” do Criador (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1999).

Como franciscanos e franciscanas que somos, necessitamos estar atentos à mensagem que cada criatura nos comunica, pois toda a criação é expressão da mensagem divina. Tudo está integrado e, a partir dessa premissa, toda ação junto à Casa Comum tem reflexo nas partes que a compõem. Tudo é diverso e uno. Diante desse contexto, cabe a cada franciscano secular observar o sentido que se dá ao uso das coisas temporais que estão disponíveis nos meios em que vivemos para que não caiamos na tentação de “comungar” com ideais e práticas de exploração da vida e dos recursos disponíveis na natureza que vão de encontro ao ideal de vida que prometemos seguir. Estar atento à maneira como consumimos os recursos disponíveis e se não estamos sendo coniventes com uma economia que mata. Cultivemos uma espiritualidade integral, um estilo de vida sóbrio e o amor fraterno a toda e qualquer criatura, pois, onde houver o amor, Deus aí está e será por meio da prática desse amor que seremos reconhecidos como irmãos. Assim seja.

Referências bibliográficas:

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 3ª. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.

BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral. Ed. Paulus; Brasília/DF, 1991.

DICIONÁRIO FRANCISCANO. 2ª ed. Editora: Vozes; Co-Edição: CEFEPAL; Petrópolis/RJ, 1999.

FRANCISCO, Papa. “Carta Encíclica Laudato Si”. São Paulo: Editora Paulinas, 2015

MERINO, José Antônio; FRESNEDA, Francisco Martínez (orgs). Manual de Teologia Franciscana. Editora Vozes; Co-Edição: FFB; Petrópolis / RJ, 2005.

ORDEM FRANCISCANA SECULAR DO BRASIL. Regra. 4ª ed. São Paulo / SP, 2007.

1  Antropólogo; Agente de Pastoral; Coordenador de Formação da OFS, Regional Norte 3 – Pará Oeste. 28.02.2019. Santarém, Pará.

 

O material encontra-se disponível no formato pdf em anexo.

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