A comemoração litúrgica dos Fiéis Defuntos teve origem no mosteiro beneditino de Cluny, na França. O papa Bento XV, aquando da primeira guerra mundial, concedeu a todos os sacerdotes a faculdade de nesse dia celebrarem três missas, e aos fiéis a possibilidade de ganharem indulgência plenária em sufrágio de defuntos.

Nos ritos fúnebres pelos finados, a Igreja celebra com fé o mistério eucarístico, na esperança de que todos quantos pelo baptismo se tornaram membros de Cristo morto e ressuscitado, com o mesmo Cristo passem da morte para a verdadeira vida. Mas precisam de ser purificados antes de serem acolhidos entre os eleitos e para sempre unidos a Deus.

A morte será sempre um mistério insondável para o homem. Para o cristão, contudo, a morte ganha sentido com a morte de Cristo. O prefácio da missa pelos defuntos lembra esta expressão de doçura humana e de certeza divina: “Em Cristo brilha para nós a esperança da feliz ressurreição; e se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da imortalidade. Para os que creem em vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna”.

A começar no baptismo, a vida terrena deve ser o princípio da vida celeste, um período de preparação, de formação, de opções parciais, que se transformarão em opção definitiva quando o homem se encontrar com o seu Salvador. Cristo espera de braços abertos todo aquele que se decidiu por ele, e no seu amor encontrará a felicidade plena e definitiva.

São Francisco de Assis considerou a morte como irmã carinhosa que nos liberta dos sofrimentos, das lutas e das preocupações deste mundo e nos introduz na vida bem-aventurada. No dia 3 de Outubro de 1226, em Santa Maria dos Anjos, estendido nu sobre a terra nua, o Santo poeta, à espera do encontro definitivo com Cristo, entoou com os irmãos presentes a estrofe que pouco antes acrescentara ao seu Cântico das Criaturas: “Louvado seja, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal!”.

Podemos fazer algo pelos nossos mortos que já se encontram perto de Deus, à espera do seu abraço. A oração pelos defuntos é uma antiga tradição de Igreja. Em virtude da comunhão dos Santos, qualquer ato de piedade ou obra de misericórdia aplicado por eles pode valer-lhes. Mas o que de longe tem mais valor, um valor infinito, é a celebração da Eucaristia, a atualização do sacrifício de Cristo, cujo sangue foi derramado “para a remissão dos pecados”. Se os mortos nada podem fazer por si mesmos, podemos nós interceder por eles junto de Cristo, que está à direita do Pai “sempre vivo a interceder por nós”. Mais do que ramos de flores nos funerais ou monumentos nos cemitérios, os nossos finados apreciarão e agradecerão as orações em seu favor, e sobretudo a nossa comunhão com Cristo na oração eucarística.

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz! Amém.

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