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ENERÁVEIS ORDENS TERCEIRAS

O franciscanismo secular em Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX

Pe. Luiz Antônio Reis Costa[1]

 

Ordens terceiras e irmandades tiveram um notável destaque na história da formação religiosa de Minas Gerais. Tão logo consolidaram-se as primeiras povoações e, a partir de 1711, com várias delas elevadas à condição de vilas (equivalentes ao que são hoje os nossos municípios), a vida eclesial também se articulou, principalmente em torno dos sodalícios laicais, uma vez que a coroa portuguesa vetava o estabelecimento de ordens e congregações religiosas na Capitania das Minas Gerais. Dentre as ordens terceiras, as que alcançaram maior projeção social foram as fraternidades franciscanas e carmelitanas. Ambas assumiram a configuração de agremiações cujo ingresso era facultado às classes sociais abastadas e brancas, o que refletia o arranjo social e religioso daquela época e a mentalidade vigente da sociedade de estamentos. Por esta razão, cada ordem terceira arrogava para si o apelativo de “Veneráveis” como indicador público do seu status elevado. Posteriormente, já colapsado o antigo regime, até as mais modestas confrarias apossaram-se do mesmo título. A venerabilidade tornou-se mais um distintivo estético que nobiliárquico.

Na Capitania das Minas, as ordens terceiras franciscanas surgem dentro de uma igreja paroquial ou capela em meados do século XVIII. Só após alguns anos, edificam templo próprio quando a linguagem visual predominante é o Rococó (1760-1840). (…). As ordens terceiras diferenciavam-se das ordens regulares (primeiras, de frades e segundas, de freiras), pois são compostas de leigos sem os votos solenes (…). Elas também distinguem-se das irmandades: são rigorosamente seletivas quanto ao poder econômico e pureza racial dos candidatos a irmãos, exigindo deles a elaboração de um testamento, coisa jamais feita por qualquer irmandade. Os terceiros preparavam-se espiritualmente antes da cerimônia de profissão, na qual se comprometiam publicamente em seguir a Regra da Penitência. Se os bons costumes não fossem devidamente observados, o irmão ficava impedido de professar[2].

As fraternidades franciscanas mineiras estavam, regra geral, ligadas ao Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro. “Este, periodicamente enviava uma autoridade da ordem para supervisionar os livros dos terceiros, o zelo com o templo e sua ornamentação e o rigor dos exercícios espirituais realizados por irmãos noviços e professos”[3]. As divergências com as orientações emanadas pelo convento carioca foram frequentes e, não poucas vezes, buscavam as fraternidades mineiras eximir-se dessa jurisdição, buscando guarida em outros conventos no Brasil e Portugal. O espírito de insubmissão às orientações dadas pela ordem dos frades e a dificuldade de assimilação de todos os aspectos do carisma franciscano será uma grave limitação dessas fraternidades. De certa forma, um “pecado de origem” com todas as suas consequências. A destacada condição econômica e social das veneráveis ordens terceiras configurou-as como protagonistas do mecenato artístico do século XVIII, fator decisivo para a ocorrência do chamado barroco mineiro, expressão artística que caracterizou indelevelmente a cultura de Minas Gerais. Não por acaso os templos franciscanos contam-se entre os seus monumentos artísticos mais importantes e neles trabalharam artistas como Antônio Francisco Lisboa (+1814), o Aleijadinho, Manoel da Costa Ataíde (1762-1830), Francisco Xavier Carneiro (1765-1840).

As fundações das ordens terceiras em Minas Gerais seguem esta cronologia: Ouro Preto (1745), São João del Rei (1749), Mariana (1758), Diamantina (1762). A partir dessas fraternidades-sedes congregavam-se terceiros franciscanos em inúmeras outras localidades da capitania de Minas, sob a forma de presídios (praesidia), que eram núcleos de irmãos admitidos numa sede, mas reunidos estavelmente em seus próprios locais de residência, sob a forma de filiais. Na primeira metade século XIX também ocorreu o caso da elevação de algumas de confrarias do cordão de São Francisco à condição de ordem terceira. É o caso da fraternidade de Sabará, onde os cordígeros tornaram-se irmãos terceiros no período de 1835 a 1840.

Um grave golpe desferido contra a vitalidade das ordens terceiras de São Francisco, em todo Brasil, ocorreu com o processo de decadência e esvaziamento da vida religiosa, desde o final do século XVIII:

A crise e decadência começou no final do século XVIII, no tempo do pombalismo, e teve o seu auge no final do século XIX, quando, ao mesmo tempo se iniciou o processo de restauração por meio da vinda de religiosos estrangeiros. As três ordens religiosas – carmelitas e beneditinos, mais do que os franciscanos – eram ricas, possuindo muitos bens acumulados por doações e legados que consistiam em prédios, sítios e fazendas e numerosa escravaria. Os conventos transformaram-se em núcleos da cultura e do catolicismo iluminista que, na sua visão reducionista do sagrado, não valorizava a vida monacal e contemplativa. Muitos frades viviam licenciosamente fora do convento e com diminuto espírito religioso. No final do período colonial os mosteiros achavam-se povoados por frades demasiadamente idosos e, no final do império, com um número reduzido de monges que tornou impossível uma vida comunitária regular. O regalismo em vigor e a subordinação ao poder civil foram outros fatores que contribuíram para o contínuo definhamento das ordens monásticas[4].

A legislação luso-brasileira que dava ao Estado a posse dos “bens de mão morta” impulsionou a proibição dos noviciados no Brasil imperial, o que fatalmente condenaria, em algumas décadas, todas as ordens religiosas à inevitável extinção e faria do Estado brasileiro o novo detentor desses valiosos bens. Na cobiça pelos bens das ordens residia toda a motivação de uma política estatal, desejosa da extinção da vida religiosa no Brasil. A proclamação da república em 1889 e a vinda de numerosas levas de religiosos estrangeiros sustou a tragédia arquitetada desde o tempo do Marquês de Pombal.

Naquelas trágicas circunstâncias, uma vez que a vida comunitária agonizava em cada convento brasileiro, a assistência espiritual e pastoral às ordens terceiras praticamente desapareceu, ficando, tanto quanto possível, confiada aos cuidados do clero diocesano, já imerso nos trabalhos exigentes da vida paroquial. O resultado não poderia ser outro: uma profunda descaracterização do franciscanismo secular pelo notório afastamento do próprio carisma franciscano. Nas fraternidades criaram-se, desde então, desvios de compreensão da real identidade franciscana cujos efeitos até hoje são sentidos, em não poucos lugares.

A revitalização da vida franciscana no Brasil, com a chegada de religiosos estrangeiros para repovoar as antigas fraternidades e reiniciar a vida conventual, coincidiu com o período aberto pela reforma da ordem terceira de São Francisco, efetivada pelo Papa Leão XIII (1810-1903), mediante a constituição apostólica Misericors Dei Filius (1883). A reforma leonina adaptou a regra terciária às novas condições da vida moderna e ordenou a subsequente elaboração de novas constituições, com o fim de que os terciários entendessem profundamente e praticassem os princípios franciscanos, gerando assim a santificação pessoal e o benéfico impacto na vida social.  A revitalização gerada pela reforma leonina chegará às fraternidades de Minas Gerais, sofrendo nos primeiros anos notórias resistências, mas terminando por se estabelecer como um novo começo para o franciscanismo secular em terras mineiras.

 

OS CORDÍGEROS DE SÃO FRANCISCO EM MINAS GERAIS:

UMA HISTÓRIA (QUASE) DESCONHECIDA

Luiz Antônio Reis Costa[5]

 

  • O cordão de São Francisco e sua confraria: origens

O uso devocional do cordão de São Francisco remonta às origens da sua Ordem[6]. Foi o próprio São Francisco quem cingiu “o primeiro cordígero”, e este foi ninguém menos que o grande São Domingos de Gusmão. Entre os dois fundadores desenvolveu-se uma sólida amizade, totalmente enraizada no amor a Deus e aos irmãos que inflamava a ambos.  A narrativa de Celano (II Cel 150)[7] nos conta que, um dia, Domingos pediu a Francisco que lhe desse o seu cordão, como sinal de estima fraterna. Francisco cedeu e cingiu-o com o cordão que Domingos conservou com verdadeira veneração por toda a vida[8].

Após a morte de Francisco o costume devoto se espalhou ainda mais, ganhando o gosto popular e, sem maior aparato institucional, prosseguiu até 1585.  Naquele ano pastoreava a Igreja universal um Papa franciscano, Sisto V (1521-1590), que, mediante a constituição apostólica “Ex supremae dispositionis” instituiu erigiu a confraria do cordão de São Francisco e estabeleceu a sua sede primária na igreja do Sacro Convento de Assis. Em 1587 confirmou o que já havia instituído, concedendo indulgências e outras graças espirituais, e declarando já agregadas à confraria de Assis (tornada arquiconfraria) todas as outras confrarias do cordão que fossem erigidas no futuro. Os Papas seguintes confirmaram tais disposições.

“Esta piedosa confraria não tardou a se propagar prodigiosamente, produzindo em toda parte copiosos frutos de salvação. A experiência tem provado que ela pode contribuir poderosamente para o bem espiritual da Ordem Terceira, preparando-lhe sólidas vocações. Além disso, ela oferece uma compensação às pessoas que, não podendo entrar na Ordem Terceira, desejam, não obstante, pertencer à família seráfica”[9].

O horizonte de pertença oferecido aos membros da confraria do cordão era amplíssimo: “qualquer cristão pode entrar nesta confraria, ainda mesmo crianças, como também religiosos de qualquer ordem” (Estatutos, p. 273).  O fim principal da confraria do cordão era “honrar de um modo especial a São Francisco, para o incremento do seu culto público, difundindo entre o povo cristão sempre mais o espírito franciscano e preparando vocações para a Ordem Terceira. Fins caritativos e beneficentes a confraria poderá visá-los somente em segundo plano”(idem). A difusão dos cordígeros entre a juventude era uma prioridade: “especialmente a juventude, cingindo-se desde a mais tenra idade com o cordão do Seráfico Patriarca, terá um meio poderosíssimo que a preserve das seduções do mundo, pois, quanto mais conhecerem a vida tocante de São Francisco, que se lhes explicará em práticas mensais, tanto mais hão de se enumerar das virtudes por ele praticadas” (Estatutos, p. 274).

Cada confraria deveria possuir uma adequada organização, baseada nos estatutos aprovados pelo superior da Ordem franciscana e devidamente erigida, com o reconhecimento do bispo local. Os cordígeros se organizavam em duas secções (masculina e feminina), subdividindo-se cada secção em três classes etárias (menores, médios e maiores). A suprema direção se encontrava no padre diretor que nomeava os componentes da diretoria ou mesa administrativa e os prefeitos das secções e suas respectivas classes. Já no século XX, sobretudo nos pontificados de Pio XI (1922-1938) e Pio XII (1938-1958), que muito incentivaram a ação católica, se depreendeu que os cordígeros também deveriam ser auxiliares valiosos para o apostolado leigo, sendo ademais São Francisco de Assis designado por Pio XI como padroeiro da ação católica (Estatutos, p. 275).

As obrigações que os cordígeros assumiam eram estas: receber o cordão das mãos de um superior franciscano ou de um sacerdote autorizado a benzê-lo e cingi-lo em rito próprio, trazer o cordão consigo diariamente, inscrever o nome no registro de uma confraria canonicamente ereta, rezar diariamente um Pai Nosso, Ave Maria e Glória, acrescidos do “São Francisco, rogai por nós”.  Os cordígeros recebiam as valorizadas indulgências plenárias, próprias das grandes festas franciscanas, e numerosas outras indulgências parciais com suas respectivas práticas devocionais. A ereção canônica das confrarias do cordão era pedida aos ministros gerais dos franciscanos (OFM, OFM Cap, OFM Conv, TOR) conforme as condições prévias indicadas nos estatutos. Para a validade da ereção canônica requeria-se também a recomendação e aprovação formal do bispo local (Estatutos, p. 276).

  • Os cordígeros em Minas Gerais

Desde a sua origem a vivência religiosa nas Minas Gerais ficou marcada pela presença e atuação das ordens terceiras (principalmente São Francisco e Carmo) e irmandades ou confrarias. O regime do padroado português não permitiu o estabelecimento de conventos ou mosteiros no período colonial mineiro, fato que impulsionou ainda mais a relevância dos sodalícios laicais. As ordens terceiras estavam ligadas diretamente às grandes ordens religiosas, das quais participavam do carisma e eram ramificações efetivas através dos seculares. As irmandades ou confrarias não se vinculavam à nenhuma ordem, mas estavam sujeitas à autoridade episcopal e reuniam-se em torno da promoção de uma devoção ou culto específico (Santíssimo Sacramento, Rosário, Almas, Santos, Passos da Paixão etc.). O cotidiano desses sodalícios era marcado por práticas estimuladas pela reforma tridentina (frequência aos sacramentos, instrução catequética, atos devocionais coletivos e particulares etc.) e pela promoção das suas comemorações próprias como forma de expressão social e prestígio institucional, daí a ênfase na pompa e solenidade de suas celebrações e na beleza de seus templos. Todavia, esse contexto religioso também espelhava as tensões, conflitos e contradições sociais da época. Os irmãos terceiros sentiam-se mais qualificados na hierarquia social e espiritual que os membros das irmandades, pois normalmente faziam parte da elite local (política, militar, comercial, intelectual)[10]. Entendiam-se como grupo seleto e cultivavam certo sentimento de fidalguia, o que levava tais ordens terceiras a estabelecer rígidos protocolos de precedência e distanciamento em relação às irmandades, sobretudo aquelas formadas por negros, mestiços e pobres. Por isso, para professar como terciário carmelita ou franciscano, além da condição social e econômica relevantes, era preciso provar também a “limpeza de sangue” e demonstrar que não havia no candidato à ordem a presença de alguma “infecção por origem”, vinda de ascendência negra, moura, judaica ou de gentio da terra.

É nesse contexto elitista e excludente que emergiu uma interessante experiência franciscana alternativa: as confrarias do cordão de São Francisco, reconhecida como um “braço do culto franciscano empreendido pelo não-brancos”[11]. O período mais intenso de existência e atuação dessas agremiações se deu entre 1760 e 1850[12].  Tal encarnação do carisma franciscano nas classes mais pobres, sobretudo formadas por pardos, não se fez sem enorme oposição e retaliações das veneráveis ordens terceiras de São Francisco, às quais incomodava imensamente compartilhar, com gente tida como de baixa extração social e destituída de modos fidalgos, o mesmo patrono seráfico e as mesmas insígnias franciscanas, além das respectivas solenidades anuais. Para as veneráveis ordens terceiras todos os usos e costumes devocionais franciscanos eram propriedades privativas delas, principalmente o uso do cordão de São Francisco. Tal incômodo produziu tensões permanentes e conflitos abertos, levando terceiros franciscanos e cordígeros a efetivar longos processos nos tribunais eclesiásticos e civis, sobretudo no século XVIII em Minas Gerais. 

Surpreende-nos, porém, a resiliência dessas confrarias populares diante da enorme pressão das classes abastadas e do aparato social e jurídico que lhes era frontalmente contrário: “Os pardos do cordão” se demonstraram aptos a mediar as contendas impostas pelos irmãos terceiros franciscanos, bem como capazes de erigir templo próprio como solução arquitetônica e ornamental bastante similar entre si e, ainda, de instituir presídias em localidades afastadas dos núcleos urbanos” (FERREIRA, idem). As presídias eram agrupamentos de cordígeros que podiam surgir em qualquer localidade, sem maiores formalidades institucionais, mas com a obrigação de se alistarem na confraria canonicamente ereta mais próxima e lá receberem o cordão. Tal flexibilidade alavancou o número de cordígeros e espalhou essa forma de presença franciscana por praticamente todo o território mineiro, superando numericamente a ordem terceira franciscana. Assim, muitos locais onde encontramos ainda hoje algum traço de devoção franciscana têm, muito provavelmente, a sua origem remota na presença dos antigos cordígeros.

 O mais surpreendente da presente página histórica é o desfecho institucional do conflito entre terceiros franciscanos e cordígeros: “na primeira metade do século XIX, a arquiconfraria do cordão de São Francisco passou a usufruir da prerrogativa de Ordem Terceira da Penitência, em localidades onde o braço do culto franciscano promovido pelos brancos não chegou a edificar templo” (Idem ibidem). Por fim, venceram os cordígeros, os “pardos do cordão”, que mesmo combatidos e retaliados consolidaram-se e difundiram amplamente a devoção franciscana.

A história dos cordígeros em Minas Gerais tem sido objeto de maior pesquisa histórica e produção acadêmica. É história que merece igualmente ser melhor conhecida por toda a família franciscana. Trata-se de um evento interessantíssimo que testemunha a recepção do carisma franciscano nos meios populares do mundo colonial, apesar a apropriação fidalga do Poverello feita pelas elites da época, e da consequente resistência em permitir que os mais pobres acedessem ao mesmo carisma, tido como privativo das veneráveis ordens.

Tudo isso nos alerta sobre os riscos de sequestro, redução e esvaziamento das multiformes experiências da vida e carisma franciscanos. Tais riscos sempre acompanham a trajetória histórica da recepção dos carismas fundacionais. Ao mesmo tempo a história nos revela a impressionante força do dom de Deus manifestado em Francisco de Assis e seus seguidores. Dom sempre capaz de renovar-se e reinventar-se diante de novos contextos e novos desafios.

 

A chegada do século XXI na Ordem Franciscana Secular em Minas Gerais

Ana Carolina Miranda, OFS e Márcio Bernardo, OFS

 

Um novo século chegou e, com ele, mudanças significativas na sociedade em todos os seus aspectos – culturais, econômicos, profissionais, tecnológicos e, também, espirituais e eclesiais. E a OFS não é isenta a tudo isso. Sempre levando nos olhos e no coração nossa forma de vida e lendo o mundo a partir do que nosso carisma e identidade franciscanas nos pedem, nossa caminhada precisa sempre se atualizar. É assim que temos conduzido nossa fraternidade regional, cheios de alegria e esperança, com abertura às transformações que o mundo nos traz.

Como foi citado no artigo anterior sobre nossa história, Joana D’arc Robatini de Andrade, da Fraternidade Beato Contardo Ferrini, deu continuidade aos trabalhos de seu esposo, José Carlos, tendo sido eleita ainda em 1999 e reeleita nos dois triênios seguintes. Neste período houve um trabalho muito bonito de mobilização junto às fraternidades locais que resultou na compra de uma sede para a fraternidade regional, local de referência para a realização das reuniões, organização de arquivo e apoio logístico para as demais atividades. Desta época também ficaram marcadas a participação em encontros de área bem preparados, com boa participação, e um belo testemunho de colegialidade na Assistência Espiritual, cujas nomeações para as fraternidades locais foram feitas com muito zelo àquela altura, quando nossos documentos internacionais estavam começando a chegar nas bases e sendo colocados em prática.

De 2008 a 2011, assumiu o Conselho Regional a ministra Maria Beatriz Chimelli, da mesma Fraternidade de seus antecessores. Entre 2011 e 2017, esteve à frente Maria do Socorro Gomes da Costa, da Fraternidade São Francisco das Chagas. Destacam-se os esforços no cultivo do senso de pertença, formação com o estudo da nossa Regra, organização financeira, comunicação, com o envio de boletins informativos, e o início da participação efetiva da Juventude Franciscana no Conselho Regional, após a participação dos jufristas no Congresso Nacional da JUFRA realizado em Mossoró, no ano de 2010. Nesse tempo, também foi marcante a passagem da Relíquia de São Francisco por nosso Estado, em 2016, que foi motivo de imensa alegria e cultivo da espiritualidade.

Já em 2017 começa um outro momento da Fraternidade Regional em Minas Gerais, com a eleição de Maria Zélia Castilho Rogedo, da Fraternidade São Lucas, que continua conduzindo as atividades até o momento atual, após uma prorrogação do primeiro triênio devido à pandemia de COVID-19 e tendo sido reeleita em 2022. Sem sombra de dúvidas, o período pandêmico foi o maior desafio dessa época, já que ficamos por longos meses impossibilitados de nos reunirmos presencialmente, bem como fazermo-nos presentes junto aos irmãos que tinham dificuldades com acesso à internet. Foram promovidas diversas lives com temáticas formativas relevantes à realidade do momento e que foram a única alternativa de garantir que os irmãos estivessem em sintonia e unidos em fraternidade, enquanto o olhar e o abraço ainda não eram possíveis. A perda de irmãos e irmãs também foi motivo de grande tristeza para nossa fraternidade regional.

Cabe ressaltar que os dois últimos mandatos tiveram grande influência do Papado de Francisco, que durou entre 2013 e 2025. O mote dos trabalhos foi “Por uma OFS em Saída”, a exemplo do que era pedido por ele. Isso foi notado em diversas frentes da atuação da OFS Regional, como os avanços nos serviços de JPIC e SEI, a formação integrada e integral (fruto da efetivação da Equipe de Formação) e, de modo especial, com a implementação e realização de Encontros Regionais de Formação anuais, abertos a todos, independente de sua função na fraternidade ou tempo de formação.

Esses Encontros, além de proporcionarem o aprofundamento formativo na nossa identidade, com a assessoria de nomes de referência nacional para a OFS do Brasil, também trouxeram proximidade entre os irmãos de diferentes fraternidades e distritos, que não tinham oportunidade de convívio anteriormente, bem como com os jufristas, estreitando os laços e facilitando a consciência de uma fraternidade que vai muito além dos limites locais. Os Encontros são realizados em um Colégio franciscano que nos acolhe com muita fraternura, no espírito do Capítulo das Esteiras, com simplicidade e custos reduzidos para possibilitar a ampla participação. A alegria da fraternidade é sempre uma marca registrada desses momentos que sempre reúnem centenas de pessoas. Uma iniciativa significativa, também, foram as Escolas de Formação de Conselheiros, nas quais os Conselhos Locais se reuniram nos Distritos para se formarem sobre suas funções e os documentos que norteiam nossa Ordem.

Destacamos, ainda, algumas características marcantes, como o trabalho intenso na formação e a caminhada conjunta com a JUFRA em todas as atividades, a participação direta e atuante de vários Conselheiros Regionais oriundos da JUFRA, o que trouxe inúmeros benefícios, como o dinamismo, a rapidez na comunicação e o aprofundamento no senso de pertença. Um grande avanço também foi uma melhor organização da secretaria regional, o que possibilitou um levantamento mais acertado dos dados e atualização dos mesmos junto ao CNOFS, o que havia gerado uma dívida de dezenas de milhares de reais. Esse período casou com um período de intensas atividades na OFS do Brasil também, o que gerou vários frutos, especialmente nas fraternidades locais que, algumas a duras penas, se abriram ao novo e aos jovens, acolhendo melhor as propostas e, inclusive, elegendo jufristas professos para seus Conselhos Locais. Vivenciamos processos e conversões históricas e inspiradoras!

Mais recentemente, tivemos a atualização do Estatuto Regional, acompanhando o processo realizado pelo Conselho Nacional da OFS e garantindo um documento mais condizente com a realidade e as nomenclaturas da Ordem Franciscana dos tempos atuais, já que o documento anterior datava de 20 de dezembro de 1972.  Tivemos, também, em 2024, um maravilhoso Encontro da Assistência Espiritual, com assessoria de Fr. Wellington Buarque, ofm, assistente nacional. Foi um momento ímpar de aprofundamento da vocação à assistência e dos documentos que orientam essa “recíproca comunhão vital” (Regra,1).

Nos últimos anos, também, vivemos um momento muito propício de volta às nossas Fontes pelas celebrações dos oitavos centenários de vários momentos extremamente relevantes à nossa Família Espiritual: 2021 – Memoriale Propositi e Regra Não Bulada; 2023 – Regra Bulada e o Natal de Greccio;  2024 – os Estigmas de São Francisco e 2025 – o Cântico das Criaturas. A cada memória um convite para aprofundar a compreensão do carisma franciscano e renovar o compromisso com os valores do Evangelho, da fraternidade e da minoridade, inspirados por São Francisco. Tendo em vista os 800 anos da OFS, nosso Regional preparou um lindo estandarte que peregrinou por todas as Fraternidades de nosso território, tanto da OFS quanto da JUFRA, além de cidades em que havia a presença da Família Franciscana e ainda não há fraternidades seculares. Foram momentos inesquecíveis de aggiornamento, especialmente para irmãos que estavam mais desanimados, bem como os do SEI e outros que se sentiram chamados a abraçar o carisma com a movimentação do estandarte.

Ao longo desse primeiro quarto do século XXI, tivemos a imensa alegria da ereção canônica de várias fraternidades, como a Fraternidade Senhor dos Passos, em São João do Manteninha, e Santa Clara, em Ituiutaba (ambas em 2001), Santo Antônio, em Visconde do Rio Branco (2003), Frei Luiz Fernando Peixoto, em Belo Horizonte, e Irmã Hilda Moratelli, em Betim (ambas em 2005), Santa Cruz, em Viçosa (2007), São Lucas, em Belo Horizonte e Beatos Luquésio e Buonadona, em Betim (ambas em 2008), Santa Clara, em Araçuaí (2009), Santa Clara de Assis, em Uberlândia (em 2016) e, mais recentemente, a Fraternidade Santa Dulce dos Pobres, em Passos (2023). Atualmente temos fraternidades iniciantes em Leopoldina, Juatuba, Formiga e Bambuí.

Além dos fatos já mencionados, nossa história e realidade revelam um grande desafio: o perfil devocional que, em muitos irmãos, se sobrepõe à identidade franciscana secular. Falta ainda a compreensão de que somos franciscanos seculares, e não apenas devotos de São Francisco. Sem desmerecer quem o é, mas nossa missão é viver uma Regra de Vida enraizada na espiritualidade franciscana. Somos tão franciscanos quanto os frades e as irmãs, embora muitos ainda não entendam isso. A formação é essencial para superar esse desafio e fortalecer a vida e a dinâmica das fraternidades. Sem ela, há uma tendência ao desânimo e ao distanciamento de uma caminhada conjunta e coerente com nosso ideal. Precisamos de fraternidades vivas e ativas, onde os encontros gerem prática concreta e engajada. É urgente trabalhar a formação sobre a identidade dos ramos da Família Franciscana para convivermos de forma natural e mais fraterna, sem que seja pela obrigatoriedade dos documentos, mas pelo amor que nos une, apesar das diferenças.

Ao revisitarmos nossa caminhada, muito nos alegramos pelas luzes e sombras que tanto nos ensinaram e nos trouxeram até aqui. Agradecemos a Deus pela vocação a que nos chamou e a tantos irmãos e irmãs que se doaram de forma tão generosa a essa construção. Pedimos ao Senhor e a Santa Maria dos Anjos que nos animem sempre para que continuemos a servir e promover o carisma de nosso Pai Francisco e nossa Mãe Clara em terras mineiras.

 

A Ordem Terceira em Minas: alguns aspectos na História do longo do século XX

Maria Zélia Castilho de Souza Rogedo, OFS
Ministra Regional – Sudeste 1 (2017-2025)

 

“Minas são muitas…” Assim Guimarães Rosa resumia a vastidão e complexidade do território e cultura das Minas Gerais.

Do princípio até meados do século XX, como se dava a semeadura e a multiplicação das Ordens Terceiras? Não trato aqui sobre as VOTs (Veneráveis Ordens Terceiras). A esse respeito, um belo texto do Padre Luiz Antônio Reis Costa foi publicado no último número (393) dessa Revista – recomendo a leitura!

Imaginem estradas poeirentas e vizinhanças despovoadas, com um povo muito pobre e analfabeto, gente extremamente devota, vivendo uma religiosidade dita popular. Num belo dia e sobre um burrinho cansado, chega um frade franciscano, com sua batina marrom surrada e é recebido com alegria e simplicidade. O frei, chegando de terras desconhecidas, com um sotaque diferente (muitos são holandeses…) vem falando de um São Francisco vagamente conhecido pelo “povim” do lugar. Ali, numa salinha com bancos levados pelos convidados, o frei falava, com muita fé, sobre pontos básicos do credo católico, sobre Maria, mãe de Jesus e sobre Francisco e Clara – figuras marcantes da longínqua cidade italiana de Assis. Se a permanência do frei fosse mais longa, com certeza, ele contaria mais detalhes sobre a “História Sagrada” … Não se falava em Bíblia naqueles começos.

Com algum tempo, imagino, o frei chamava o povo e comunicava que todos (claro, passando pelo crivo de uma vida bem de acordo com os mandamentos da Igreja…)  passavam a fazer parte da Ordem Terceira de São Francisco.

Podemos imaginar que as grandes questões que circulavam na sociedade da época e no Vaticano não chegavam nestes nossos espaços. Que questões eram essas? O momento histórico (Revolução Industrial, a situação terrivelmente precária dos trabalhadores, etc) e as respostas do Vaticano: a Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, de 1891; a Quadragesimo Anno, do Papa Pio XI, de 1931. Ambas versavam sobre essas questões cruciais e a participação dos cristãos na vida social. Óbvio que nem de longe eram temas de formação para leigos e, claro, nem dos franciscanos seculares! A pesquisar: será que seria o mesmo na Primeira Ordem?

Bom lembrar que, naqueles tempos, o telefone era artigo de luxo para poucos! Sabemos que Whatsapp, Facebook e Instagram são coisas muito recentes. E ouso falar: as belas, iluminadas e provocadoras Encíclicas do Papa Francisco chegam em poucas paróquias ainda hoje… Ou estou enganada??

Junte-se a isto o fato da dependência total dos terceiros com relação à Primeira Ordem. Dependência legal e cultural. Basta nos lembrarmos do forte clericalismo presente na Igreja de então. 

Com esta visão bem ampla e um tanto superficial, caminhamos aqui em Minas, como Ordem Terceira, a partir de um trabalho quase invisível de um sem-número de grupos maiores ou muito pequenos, muito engajados ou outros menos, bastante diversos no que diz respeito à formação. E da presença cheia de cuidado fraterno dos irmãos da Primeira Ordem. Os Terceiros sempre muito apegados às orientações, ora dos Frades Menores, ora dos Capuchinhos, maiores presenças dos frades por aqui. Dessa forma, foram cultivadas e mantidas vivas as linhas básicas do carisma franciscano entre o laicato ao longo da primeira metade do século XX.

 

O Concílio Vaticano II (1962 a 1965) e os sopros de mudanças na OFS

 

O Vaticano II foi, realmente, o acontecimento mais importante na Igreja no século XX. Convocado pelo Papa João XXIII, terceiro franciscano, o Concílio conseguiu elaborar uma profunda reflexão sobre o que é Igreja (Lumen Gentium) e sobre Igreja e mundo (Gaudium et Spes). Em ambos os textos a questão do Laicato é aprofundada e muitos passos à frente foram dados. A Igreja passa a ser entendida não como a mera hierarquia (clero) mas, sim, como POVO DE DEUS. O laicato é parte integrante desse povo e tem seus ministérios próprios. Todos os fieis cristãos (católicos), incorporados a Cristo pelo Batismo, participam do múnus profético e real de Cristo e exercem sua parte na missão de todo o povo de Deus na Igreja e no mundo.

Tais mudanças relativas ao Laicato vão ter como consequência grandes mudanças na vida da Igreja. É tempo de muitas buscas de aggiornamento no interior dos vários grupos e movimentos leigos no mundo inteiro e, também, na nossa Ordem.

 

O Vaticano II e a OFS no Brasil

 

As discussões sobre o Laicato que floresciam já faziam parte de textos e reflexões na Ordem Terceira no mundo todo. Aqui em Minas, já com processos anteriores, tivemos a alegria de sediar o Primeiro Congresso da Ordem Terceira! De 20 a 25 de agosto de 1963, em São Lourenço. Foi realizado em uma paróquia franciscana, com 30 irmãos terceiros, cuja fraternidade fora fundada pelo Frei Carmelo Surian. Participaram 48 dirigentes leigos e 32 padres vindos de 13 Estados. A informação é que no final havia cerca de 2.600 pessoas, dentre elas irmãos de 70 fraternidades!

Esse Congresso vai avançar em temas básicos relacionados com: a Secularidade na Ordem Terceira (OT), o apostolado, a OT e a vida social, formação de lideranças, a organização institucional, entre outros. O evento propiciou um impulso no desenvolvimento do que viria a ser a Ordem Franciscana Secular.

Em 1972, a unificação da Ordem Franciscana Secular (OFS) no Brasil ocorreu em 4 de fevereiro. Essa data marca a criação do Conselho Nacional da OFS, responsável por unificar a Ordem em todo o país, com estruturas regionais e locais. Esse marco tão significativo teve grandes desdobramentos, também, em Minas Gerais. A partir de várias reuniões preparatórias, sob a liderança da irmã Celina Braga de Campos, mineira de São João del Rei, de Frei Urbano Plentz, OFM, do Frei Thiago Santiago, OFMCap e com o apoio do então Ministro Nacional recém-eleito, Paulo Machado da Costa e Silva, foi realizada a Assembleia de ereção da VII Região (MG). Com a presença de 17 fraternidades locais, foi eleito o Conselho Regional Provisório, coordenado por Celina Braga de Campos. Junto com ela, Frei Bento van der Broek, OFM (1º Assistente) e Frei Tiago Valenza, OFMCap. (2º Assistente). Estava acontecendo, então, um novo impulso na vida da OFS em Minas Gerais, com a organização e articulação das fraternidades. Em Congresso realizado em Venda Nova, de 22 a 24 de setembro de 1972, Celina foi eleita nossa primeira Ministra Regional e exerceu a função por dois mandatos. Ela fez um belo trabalho juntamente com os Assistentes Regionais muito presentes e atuantes, Frei Urbano Plentz, OFM e Frei Thiago Santiago, OFMCap, que muito amaram e incentivaram o franciscanismo entre os leigos por aqui.

Não podemos deixar de dar um imenso destaque com ares de admiração e muita gratidão à Celina Braga, que foi uma irmã de grande espiritualidade e coerente testemunho que extrapolou as fronteiras de Minas. Admirada por sua sabedoria, casada, mãe de 11 filhos, cultivou e formou diversas fraternidades por aqui, mas também doou seus dons a serviço da Fraternidade Nacional, tendo sido ministra, coordenadora de formação e SEI nacionais. Todos os que conviveram com ela relatam o incansável desejo de conhecer e estudar as Sagradas Escrituras, Teologia e as Fontes Franciscanas. Essa notável referência de nossa caminhada regional, nascida em 1920, faleceu em 14 de abril de 2013.

A continuidade dos trabalhos se deu com a organização dos Distritos, incentivo à criação de novas fraternidades e de formação de irmãs e irmãos. Tudo desenvolvido com visitas e correspondências, devido à comunicação limitada da época. Consultando os livros de Atas dos Capítulos Eletivos, constatamos a perfeita regularidade dessas Assembleias e a vitalidade da ampliação do número de fraternidades no Regional. Ao longo do século XX, tivemos a ereção canônica de grande parte das fraternidades do nosso Regional, sendo que a maioria delas ainda se encontra atuante. Dentre essas, tivemos a ereção canônica das seguintes: N. Sra. do Patrocínio / Itaipé (1916), Cruz de São Damião / Cabo Verde (1923), N. Sra. de Lourdes / São João del Rei (1925), Sodalício São José / Corinto (1926), São Francisco das Chagas / BH (1929), N. Sra. dos Anjos / Carmo do Paranaíba (1936), N. Sra. do Rosário de Pompeia / BH (1949) e São José / Divinópolis (1932) na primeira metade. Outras 11 das que se encontram na ativa foram erigidas na segunda metade: São José / Santos Dumont (1951), São Francisco de Assis / Ouro Fino (1953), Beato Contardo Ferrini / BH (1959), São Francisco / Uberlândia (1963), Santo Antônio / Araguari (1966), N. Sra. do Rosário de Fátima / Poços de Caldas (1969), São Francisco de Assis / Muzambinho (1970), N. Sra. de Fátima Uberaba (1977), Monte Alverne / Patos de Minas (1979), N. Sra. dos Anjos / Lagoa Formosa (1980) e São João XXIII / Abaeté (1998).

O aprofundamento em nossa história também nos faz aprender muito, além de valorizarmos a importância do arquivo. Infelizmente, muito se perdeu ao longo do tempo. Nesse estudo, percebemos também que certas demandas de nossa Ordem são bastante antigas. Digno de menção o fato da preocupação e sugestão, já em 1999, da realização de um Encontro Regional de Assistentes Locais, por parte do Frei Geraldo, OFM, Assistente da Fraternidade São Francisco das Chagas, BH. Também recorrente a sempre lembrada importância da organização da JUFRA, embora a caminhada conjunta ainda fosse bem longe do ideal. 

Nos anos de 1987 a 1990 tivemos como ministra a irmã Tereza Nunes Simões e no triênio seguinte Durvalina Bárbara de Mesquita, ambas já falecidas. Mais recentemente, tivemos como Ministro Regional José Carlos Andrade, entre os anos de 1993 a 1999. Este irmão foi, também, Ministro Nacional da OFS. Ele foi sucedido no Conselho Regional por sua esposa Joana D’Arc, que foi Ministra Regional entre 1999 e 2008. Durante seu período à frente da fraternidade regional, deu continuidade ao que vinha sendo feito, mas os detalhes dessa história virão na próxima edição!

Na caminhada da OFS de Minas Gerais do início do século XX até o ano 2.000, foram muitos irmãos e irmãs que dedicaram suas vidas no serviço às fraternidades do nosso Regional. Desde as pessoas mais simples, desconhecidas, em fraternidades quase invisíveis, até grupos de irmãos e irmãs que, por razões diversas, se tornaram mais conhecidas.  Em todas elas, desde as mais simples e apegadas a uma devoção humilde a Francisco até as muito bem in/formadas e atuantes é presente o fogo do Espírito Santo. Pulsa nelas, de forma consciente ou não, o desejo de seguir Jesus tal como Francisco e Clara o fizeram.

A propósito da “descoberta” do LAICATO: nossas fraternidades têm nomes muito bonitos de santas e santos que testemunharam o amor de Deus por nós. São freis e freiras exemplares que iluminaram a caminhada de muita gente. Vocês já pensaram quantos irmãos e irmãs nossos, da OFS, gente simples, lá no meio do mato, foram luz e modelo de amor e misericórdia a seus contemporâneos? Ou pessoas como nossa Celina Braga, que deram sua vida inteira para a construção do reinado de Deus. Uma franciscana secular totalmente comprometida com o seguimento do Cristo, embebida no franciscanismo e como sempre cheia de alegria! Uma santa! Belo nome para iluminar fraternidades!!!!

Abraço fraterno! PAZ E BEM

 

(Nossa gratidão aos irmãos Eugênio Chaves Moreira, Joana D’arc e José Carlos Andrade, da Fraternidade Beato Contardo Ferrini pela colaboração no levantamento de dados.)

 

[1] Membro do clero da Arquidiocese de Mariana, franciscano secular, professor no Seminário Maior São José.

[2] CAMPOS. Adalgisa Arantes. Roteiro Sagrado: monumentos religiosos de Ouro Preto. Belo Horizonte: Editora Francisco Inácio Peixoto, 2000, p. 93-94

[3] Idem ibidem, p. 93

[4] WERNET, Augustin. Crise e definhamento das tradicionais ordens monásticas brasileiras durante o século XIX. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. São Paulo. Nº 42, 1997, p. 115-131

[5] Presbítero da Arquidiocese de Mariana-MG. Professor no Seminário Maior São José – Mariana.

[6] Tomás de Celano relata que um certo homem “tinha consigo uma corda que São Francisco já tinha usado na cintura. Aconteceu que naquela cidade muitos homens e não poucas mulheres sofressem de várias doenças e febre. O homem de que falamos visitava a casa de cada um dos doentes, mergulhava a corda na água ou misturava alguns de seus fiapos dentro dela. Dava-a de beber aos pacientes e assim, no nome do Senhor, todos conseguiam a saúde” (I Cel. 64)

[7] “Quando saíram, o bem-aventurado Domingos pediu a São Francisco que se dignasse dar-lhe a corda que trazia na cintura. São Francisco custou para fazer isso, negando-se com tanta humildade quanto era a amizade com que o outro fazia o pedido. Mas o pedido devoto acabou vencendo, e ele cingiu a corda com muito respeito embaixo de sua túnica”.

[8] O primeiro relato desse encontro nas fontes dominicanas foi feito por Gérard de Frachet na obra “Vitae fratrum ordinis praedicatorum”, de 1254. Cf. Fratris Gerardi de Fracheto O.P. Vitae fratrum ordinis praedicatorum. Lovanii: Typis Charpentier &  Schoonjans, 1896

[9]  Estatutos da Confraria do Cordão de São Francisco. In Manual da Ordem Terceira de São Francisco de Assis. Petrópolis: Vozes, 1949, 4ª ed., p. 273

[10] CAMPOS, Adalgisa Arantes. O mecenato dos leigos: cultura artística e religiosa. IN: Arte sacra no Brasil colonial. Belo Horizonte: Edita C/Arte, 2011. p.95-111.

[11] FERREIRA, Maria Clara Caldas Soares. A Arquiconfraria do Cordão de São Francisco em Minas Gerais : história, culto e arte (1760-c.1850). Tese de Doutorado. In https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/34547. Acesso aos 18/01/2025

[12] Encontramos ainda hoje templos erguidos pelos cordígeros em Mariana, Santa Bárbara, Sabará. Igualmente existem registros documentais de suas agremiações em Barão de Cocais, Catas Altas, Ouro Preto, Itapecerica, Caeté e outras mais a serem dedidamente identificadas.

Ministro: Gilberto Donizete Ribeiro
Vice-Ministra: Maria Joventina da Costa Pinto
Secretário: Fabiano Lopes dos Santos
Tesoureira: Fernanda Cristina Pinheiro Duarte
Coordenadora de Formação: Fabiana de Fátima Brito

Coordenadores de Distrito:
Primeiro Distrito: Maria Zelia Castilho de Souza Rogedo
Primeiro Distrito: Francisco de Paula Teixeira Filho
Segundo Distrito: Maria Lúcia da Silva Constantino
Terceiro Distrito: José Valdir de Souza Júnior
Quarto Distrito: Rubens Marcelo de Castro
Sexto Distrito: Mirna Aparecida Spirandeli Tavares
Sétimo Distrito: Gilberto Carneiro da Cunha
Oitavo Distrito: Georgina Gomes Pereira

Assitentes Espirituais: 
Frei Geraldo Antonio Barbosa OFMCap.
Frei Igor de Sousa,OFM

Animação Fraterna: Maria do Rosário dos Santos

Conselho Fiscal – Presidente: Márcio Bernardo de Oliveira Ramos
Conselho Fiscal – Relatora: Vanessa Luísa Rodrigues dos Reis
Conselho Fiscal – Secretária: Maria Goretti Rodrigues Ferreira Bleme
Conselho Fiscal – Suplente: José Alexandre de Santana Marques
Conselho Fiscal – Suplente: Luiz Carlos de Oliveira
Conselho Fiscal – Suplente: Geraldo Magela de Souza

As informações serão incluídas após o lançamento oficial.

Endereço: Rua Manoel Batista 531, São Jorge, Manaus – AM 

E-mail: regionalnorte1@ofs.org.br