Quarta, 17 Maio 2017 18:02

Estudo da Regra em Fraternidade: Artigo 9 da Regra

“A Virgem Maria, humilde serva do Senhor, disponível à sua palavra, e a todos os seus apelos, foi cercada por Francisco de indizível amor e foi por ele designada Protetora e Advogada da sua família. Que os franciscanos seculares testemunhem a Ela seu ardente amor pela imitação de sua incondicionada disponibilidade e pela prática de uma oração confiante e consciente.”(Art. 9)

01 – CANTO INICIAL:

(Sugestão: Santa Maria dos Anjos-pág. 613, canto 32, Devocionário Franciscano)

 

02 – ORAÇÃO INICIAL:             

            Querida Mãe, Mestra, Rainha.  Senhora de Nazaré, de Aparecida, de Lourdes, de Fátima, de Guadalupe. Senhora da América Latina, Padroeira do Brasil!

Como Mãe, conheces cada um de nós, nossas fraquezas, a vontade de sermos verdadeiramente discípulos de teu Filho Jesus, de colocarmos nosso tempo e nossos dons à disposição da nossa Ordem Franciscana Secular do Brasil, em particular de nossas Fraternidades Locais. Precisamos de teus conselhos, de tua proteção, de tuas mãos a nos guiar. São muitos os desafios que temos que enfrentar numa sociedade repleta de ofertas de ilusória felicidade.

Queremos construir contigo, o verdadeiro sentido da vida que o Senhor nos concedeu. Sabemos que esse sentido tem a ver com as situações concretas do dia a dia, marcadas por nossas opções e nossos desejos. Ensina-nos a escolher o que for do agrado de Deus, como tu sempre o fizeste. Ensina-nos a saborear o Mistério do Amor do Pai encarnado em Jesus.

Tu, Senhora, és o caminho mais ligeiro e seguro para chegar a Jesus. Caminha conosco. Que nossa oração seja espelho da tua oração. Que nossas Fraternidades sejam imagem da tua família de Nazaré.  Que nossa alegria seja a busca perseverante da santidade e da paz e do bem de toda a Ordem Franciscana Secular.

Com nosso afeto e carinho agradecemos tua intercessão e te louvamos, ó Senhora santa, santa Mãe de Deus, Virgem feita Igreja, em quem reside a plenitude da graça, da beleza e do bem.

Amém.

 

03 – Tema: A DEVOÇÃO MARIANA DO FRANCISCANO(A) SECULAR

Ouvimos muito esta palavra “devoção” com o significado estreito de práticas religiosas, até mesmo muitas vezes de “carolice”. Entendamos, então o que vem a ser  devoção e como São Francisco a entendia:

Devoção tem a ver com sentimento, que pode ser tanto por uma pessoa próxima a nós, que admiramos e amamos quanto voltado para um culto religioso. A devoção envolve afeto, dedicação, entrega, um voltar-se no desejo de escutar para realizar e traz consigo uma motivação. Nosso Pai Seráfico, sabemos que nutria “especial devoção” à Nossa Senhora. Sua motivação foi que Ela gerou nosso irmão, o Senhor da majestade. Cantava-lhe louvores, derramava orações, oferecia afetos, como diz Celano 198.  

O amor de Francisco por Nossa Senhora é indizível, mas não é nem fantasioso nem piegas. Francisco é um homem de concretude. Seu amor tem a consistência da verdade resultante da contemplação do Mistério de Amor de Deus. E, como diz Frei Alberto Beckhäuser, “ele a lança dentro do Mistério da Santíssima Trindade”, e, construindo a Antífona do Ofício da Paixão, a chama de “filha do Pai celeste”, “esposa do Espírito Santo” e “Mãe do Senhor Jesus Cristo”. Aqui, podemos dizer é, por excelência, o lugar de Maria. Ela, é o Templo da Trindade Santíssima.

A Virgem Maria, criatura agraciada por Deus, guardou em seu seio o Senhor da Vida. O Senhor da Vida, infinito em sua majestade e divindade, coube  humildemente no seio de uma criatura-finita. Que dignidade Francisco descobriu em Maria! Podemos até vê-lo prostrado nos bosques, balbuciando louvores, buscando entender a beleza da maternidade divina de Maria, como foi seu dia a dia grávida de Jesus e depois tendo-o em seus braços, ensinando-o a caminhar e a falar, e contando-lhe a história de seu povo e dos prodígios realizados por seu Deus.

A Senhora, indo e vindo em seus afazeres domésticos, escutava e conversava com as mulheres na fonte onde ia encher o cântaro, observava a realidade de sua comunidade e, com certeza, ajudava, aconselhava, e no final do dia, num recolhimento simples e humilde, agradecia ao Senhor por seu amor, por seu Filho, por seu esposo, e, num sim constante, como serva fiel, colocava-se de  novo e de novo à disposição do Senhor. Nas andanças de Jesus, ensinando, curando, perdoando, libertando, sua bênção tudo envolvia. E, depois, na perseguição, no sofrimento atroz da paixão e morte de seu Filho, lá estava ela de pé, corajosa em seu SIM. E, ainda, na alegria da ressureição, o júbilo, e na descida do Espírito Santo, a acolhida da maternidade da Igreja que nascia.

Gostamos de pensar que assim era a vida de Maria em Nazaré e nos lugares por onde andou. Frei Baggio em um de seus livros a chama de Maria das Mãos Postas, Maria do Menino Perdido, Maria do Avental, Maria da Palavra, Maria do Silêncio, Maria do Sim, ... Denominações carinhosas de profundo afeto, que dizem um pouco de sua vida de dona de casa pobre e temente a Deus. Foi essa simplicidade, humildade e pobreza que encantaram Francisco e ele desejou profundamente seguir essa vida de  pobreza, na radicalidade do Evangelho. Ele viveu a pobreza com alegria. Ele desejou imitar a Mãe de Jesus, “modelo na escuta da Palavra e na fidelidade à vocação”, “modelo de amor fecundo e fiel para toda a comunidade eclesial”, como encontramos expresso nas Constituições Gerais da Regra da OFS, no Artigo 16. Ainda nesse Artigo, está escrito que em Maria, assim como em Francisco, vemos realizadas todas as virtudes evangélicas. E, o documento da Igreja, Lumen Gentium, 67, ensina que os fiéis devem lembrar-se que “a verdadeira devoção nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e  nos incita a amar fielmente a nossa Mãe e a imitar as suas virtudes.”

Ainda no Artigo 16, nossas Constituições Gerais nos mandam “cultivar um amor intenso à Virgem Santíssima, a imitação, a oração e o abandono filial”; “manifestar a própria devoção com expressões de fé genuína nas formas aceitas pela Igreja”; “viver a experiência de Francisco, que fez da Virgem a guia da própria obra”; com ela, como os discípulos no Pentecostes, “acolher o Espírito para que se realizem como comunidade de amor”.

Cultivar um amor intenso à Virgem, entendemos que: é criar uma ligação afetiva especial com ela, é agir de modo a sempre agradá-la, é o desejo apaixonado de imitá-la, ter as mesmas atitudes; é confiar plenamente nela, obedecê-la com alegria; é abandonar-se em suas mãos maternas e sentir-se acolhido em seu coração; é tê-la como mestra, mãe, rainha, amiga, conselheira; é querer, de todo coração, ter sua companhia e ensinamento, no caminho do seguimento de Jesus.

Manifestar a própria devoção “com expressões de fé genuína nas formas aceitas pela Igreja”: Frei Alberto Beckhäuser, diz que temos que considerar três aspectos no culto prestado a Nossa Senhora: “a) A Igreja enaltece a Deus pelas maravilhas, pelas grandes coisas realizadas em Maria, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo; b) A Igreja contempla e procura imitar Maria como modelo da vocação cristã; c) A Igreja pede sua intercessão junto a Deus pai, por Cristo, no Espírito Santo.” 

Frei Alberto Beckhäuser, ofm chama atenção para outro aspecto da devoção mariana de Francisco: “procurar imitá-la na conversão permanente a Deus”. E esclarece que a conversão a que se refere não significa que Maria tivesse que se converter do pecado, mas conversão no sentido positivo, como busca, como dedicação permanente a Deus. E, diz mais adiante, que a devoção a Maria tem que estar em íntima comunhão com a Igreja e integrada ao Mistério de Cristo.

Assim como quando amamos uma pessoa criamos maneiras de mostrar-lhe nosso amor, acontece também com a devoção a Nossa Senhora, que se expressa de maneiras diversas: recitação do rosário e do Ofício de Nossa Senhora, novenas, cantos, grupos de oração, grupos de pessoas que, por amor a Maria, ajudam os necessitados, fundação de congregações marianas e outros. Nós, franciscanos seculares, além de tantas maneiras de louvá-la, reconhecemos o forte vínculo de amor filial que, em obediência à nossa Regra nos remete, ao testemunho de um ardente amor por ela, imitando suas virtudes, sobretudo:

·         na humildade,

·         na disponibilidade incondicional à Palavra e apelos divinos,

·         na oração confiante e consciente,

Não esquecendo, como dizia Frei Olginati, ofmcap, “que a Virgem Maria continua a estimular-nos a viver a fidelidade total ao amor de Jesus e fazer de nossa vida um contínuo louvor a Deus”.

 

03 – AÇÃO CONCRETA:

(Sugestão: Neste Ano Mariano, planejar a solenidade de Santa Maria dos Anjos com muito cuidado e carinho, convidando alguém para refletir sobre a graça de tê-la por mãe, mestra, rainha, advogada, se possível unindo as Fraternidades mais próximas e realizando pequenas procissões com a comunidade)

 

04 – ORAÇÃO FINAL:

(Sugestão: Saudação à Mãe de Deus, São Francisco)

05 – CANTO FINAL:

 (Sugestão: Mãe do Céu Morena-pág.622, cato 54, Devocionário Franciscano)

06 – REFERÊNCIAS PARA ESTUDO E APROFUNDAMENTO:

·         Regra da Ofs. Art. 9

·         CCGG da Ofs Art. 16

·         A Espiritualidade do Franciscano Secular, Frei Alberto Beckhäuser

·         Lumen Gentium, documento do Concílio Vaticano II

 

 

Autora do Texto: Marúcia Conde, OFS

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