Quinta, 19 Junho 2014 21:51

Uma presença fortemente presença - Corpus Christi

Deuteronômio 8, 2-3.14-16; 1Coríntios 10, 16-17;  João 51-58

Hoje, uma vez mais, comemoramos a solenidade  do Corpo e Sangue de Cristo.  Desde nossa mais tenra infância aprendemos a venerar, adorar e prestar todas as homenagens ao Corpo e Sangue do Senhor que se apresentam sob as aparências do pão e do vinho. Hoje é Corpus Christi. Lembramo-nos das solenes procissões pelas ruas da cidade com o ostensório levado em carro todo ornado de flores e cercado da adoração dos corações. Os hinos eucarísticos ainda ressoam em nossos ouvidos. As ruas eram (continuam sendo em  alguns lugares) atapetadas de pétalas de flores ou mostravam desenhos artísticos feitos com serragem colorida.  Mais uma vez, neste dia, manifestamos nossa gratidão àquele que se fez comida e bebida de nossa vida.

“Seu preceito conhecemos:
pão e vinho consagremos
para nossa salvação.
Faz-se carne o pão de trigo,
faz-se sangue o vinho amigo:
deve-o crer todo cristão
(Sequência da Missa do Corpo de Deus)

 

Há uma outra festa da Eucaristia no calendário da Igreja. Referimo-nos ao encanto das solenidades da quinta-feira santa: a missa do crisma na igreja catedral, a celebração da tarde marcada pelo gesto do lava-pés, o Senhor que toma o pão e o vinho  e  se entrega sacramentalmente para se entregar no dia seguinte no altar da cruz.  Naquele momento nossa atenção se volta para o mistério da passagem, da morte e ressurreição que o Senhor haveria de viver  nos dias seguintes. Aquela cerimônia é bela: flores, cantos, hinos, badalar dos sinos, jubilo, instituição do sacerdócio ministerial católico, mas termina com a solidão de Jesus no Jardim de Getsêmani. A solenidade de Corpus Christi não se desvincula do mistério da Páscoa, da passagem, mas tem um caráter diferente. É canto carinhoso de gratidão e proclamação da fé aos quatro ventos. Ele, o que nos tirou do abismo do não sentido, está presente. Faz-se companheiro de nossa caminhada, pão de nossa fome.

Nossa vida é povoada de lembranças e evocações. Pensando no amigo que está distante, na mãe que já partiu para a eternidade, de alguma forma, pela mente trazemos sua presença para perto de nós. Vivemos cercados de lembranças e presenças. Pela mente tornamos presentes certas ausências.

A eucaristia não é uma simples memória, lembrança. “A eucaristia não é memória psicológica no sentido de uma recordação, nem simplesmente objetiva no sentido do monumento. Mas é uma comemoração especial, em que tanto o elemento psicológico como o ontológico se conjugam numa unidade superior. Não é uma memória simplesmente intencional, mas uma memória prenhe de realidade. Os Padres chamam-na frequentemente de uma ‘imitação’ da morte de Jesus Cristo. Não é, contudo, uma reprodução no sentido exterior, e sim no de uma íntima união, enquanto na eucaristia por meio de um símbolo sacramental, está presente a  morte de Cristo. A eucaristia é uma epifania sacramental da Páscoa e isso só pode se conhecer pela fé. A eucaristia é uma epifania sacramental da Páscoa. A eucaristia é, pois, uma memória da fé” (Missal Dominical da Paulus, p. 495).

 

Frei Almir Ribeiro Guimarães

 

 

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