Quinta, 06 Agosto 2015 00:00

DESPEDIDA

       Dia após dia o pai ia definhando. Os médicos não tinham mais o que fazer. Idade, doença, falência dos órgãos, mas muito lúcido. Os filhos casados andavam se fazendo presentes junto de sua cabeceira. Ele já não se levantava mais.  Um dia ele manifestou o desejo de reunir filhos, noras, genros e netos e fazer uma despedida: 

 

 

“Meus queridos, quero ser breve. Não devo viver muito tempo. Penso que é questão de dias, de poucos dias.  Queria vê-los juntos ainda uma vez.  Quero olhar o rosto de cada um de vocês. Que posso ainda dizer-lhes?  Fui uma pessoa profundamente feliz. Fui companheiro da mãe de vocês. Tenho  saudades dela, de nossa vida, dos sonhos concretizados. Fomos companheiros de verdade. Nunca se esqueçam dela. Espero que para as festas da família sempre façam aquela cuca de banana.  Que vocês sejam pessoas boas. Ajudem-se uns aos outros. Não se fechem numa espécie de  gueto com seus filhos, seus passeios, suas coisas, as famílias de seus maridos e de suas mulheres.  Relevem  pequenas diferenças entre vocês. Agradeço também o respeito e o carinho que recebi de vocês noras e genros. Vocês vieram enfeitar nossa família. Meu testamento é parecido com o testamento de Jesus:  que vocês se amem de verdade e sejam  unidos.  Rezem para que eu possa estar na glória e de lá gostaria de fazer chover rosas sobre vocês, como tinha querido fazer  Santa Terezinha.  Aproximem-se quero traçar na fronte de vocês o sinal da cruz.  Que o Altíssimo não os largue”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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