Terça, 21 Janeiro 2014 19:18

AS CRIANÇAS DA FACE DA TERRA

DEZEMBRO/2013

 

 

            ficam encantadas  com a festa do Natal.  Natal é festa dos corações singelos e puros. De modo especial é festa das crianças e das pessoas simples e profundamente boas. Esses seres que concretizam em suas vidas o espirito das bem-aventuranças. Somente eles decifram o Mistério do Natal.

 

            Lá está o menininho na sala iluminada. Já se tinha passado a ceia e as comemorações e todos em sua casa dormiam. Ele, valentemente, acordou, pulou da cama e bem suavemente foi até a sala, a sala do presépio, a sala da árvore de Natal toda multi coloridamente enfeitada, vestido com seu pijaminha,  carregando lençol que o cobria, ele olha tudo. Está no meio da sala... nos cantos estão ainda os papeis coloridos que envolviam os presentes.  Ele olha. Coloca-se no meio da sala. De repente olha as bolas coloridas da árvore e toca algumas delas. Volta para o centro. Olha, contempla, degusta a alegria. Parece um bailarino acertando os passos e procurando o melhor lugar na cena daquela noite luminosa. Senta-se no chão... Por fim, dirige-se ao canto onde está o presépio.  Estendendo a mão toca o Menino e tem nos lábios a dançar um sorriso de pureza que deveria ser eternizado por um fotógrafo escondido num canto daquela sala que mais parecia um espaço do céu. A mãe despertou chegou à porta da sala e de longe contemplou a cena com os olhos marejados de lagrimas de alegria.

 

            A menininha e a mãe estão na igreja do bairro. A tarde vai caindo nessas vésperas de Natal. A garota vislumbra o presépio não longe do altar principal. Puxa a mãe para leva-la até a cena com suas luzes cintilantes. Com seu dedinho indicador mostra para a mãe o Menino, joga-lhe um beijo de ternura, cheio de encantamento. E no presépio, Deus vê o mundo através dos olhos de uma criança que se chama Jesus. Sim, o Menino das Palhas se parece com todas as crianças da face da terra.

 

            Uma terceira cena: aquele senhor bem idoso é o chefe de uma grande família. É o patriarca.  Ele e a mulher é que presidiam as festas na noite do nascimento do Menino. A mulher já morreu. Nos últimos anos ele é que organiza e supervisiona tudo. Com seu olhar sereno e bondoso, é a autoridade moral daquela família. Já está um pouco cansado e alquebrado. No canto da sala está sentado com sua calça escura e uma bela camisa de mangas azulada combinando com o azul de seus olhos. Vê os familiares que vão chegando.  Todos o cumprimentam. Ele conhece a todos. Sabe de dificuldades de convivência, de casamentos que andam por um fio.  Sorri quando chegam os netos e mesmo um bisneto.  Reúne ele, a família na noite de Natal, como ele e sua mulher fez anos a fio. Com sua voz grave não tão forte faz uma oração. Saúda a todos e todos se abraçam desejando os votos de boas festas.  O velho senhor controla suas emoções, engole uma lágrima e senta-se à mesa para a ceia comemorativa do nascimento do Menino das Palhas.

 

Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM

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