Terça, 21 Janeiro 2014 18:43

FORMAÇÃO PARA O TRABALHO MISSIONÁRIO E PASTORAL

 

 

 

JANEIRO/FEVEREIRO/2014

 

Irmãos e irmãs, com alegria apresento-lhes mais um número desta revista eletrônica de espiritualidade franciscana, o primeiro de 2014 cobrindo os meses de janeiro e fevereiro. Nossa leitura espiritual se debruça sobre o tema do recolhimento e do silêncio, tão necessários em nossos tempos para não chegarmos ao fracasso de existir.

 

FORMAÇÃO PARA O TRABALHO MISSIONÁRIO E PASTORAL

Pessoas que se comprometem com o Evangelho

 

1. Crescemos e desenvolvemo-nos como pessoas quando encontramos a quem venhamos a nos entregar e um trabalho a ser desenvolvido a serviço dos outros: viver o amor e entregar-se a uma causa. Os franciscanos, sejam eles frades ou terciários, sabem que precisam cultivar sua identidade própria, experimentar a fraternidade e abraçar uma missão no seio da Igreja. A Fraternidade não é um refúgio tranquilizante. Os que entram em nossas fileiras e começam sua formação serão ajudados a dar sua contribuição missionária.

 

2. Ao lado das reuniões de formação, dos encontros nas reuniões gerais da fraternidade convém que iniciantes e formandos, bem como os professos, atuem no seio da Igreja. Há uma gradação na missão. Jovens simpatizantes não podem assumir responsabilidades pastorais que vão além de suas forças. Não ingressamos na Ordem Franciscana Secular para ganhar ensinamentos de ação pastoral, mas é normal que a formação ajude os franciscanos a agiram competentemente na pastoral e na missão.

 

3.Há essa missão no lugar em que nascemos e vivemos. Marido e mulher, com seu testemunho evangélico-franciscano evangelizam.  Criam em suas casas um ambiente diferente. Não se trata de adotar posturas píegas, nem expedientes melosos. Imbuídos do espírito do fraternismo, do minorismo, do despojamento, da admiração diante do amor de Deus em seu Cristo marido e mulher, pai e mãe atuam. Formandos e professos, em suas casas, são missionários.  Esse modo de ser, essa presença discreta e esse serviço humilde não pode faltar.

 

4. A fraternidade local pode resolver assumir, como fraternidade, o acompanhamento de um lar de idosos, a evangelização de uma região mais carente da cidade, a animação de círculos bíblicos ou acompanhamento de oficinas de oração do Padre Inácio Larrañaga. Parece que os iniciantes e formandos teriam a ganhar fazendo pastoral com os irmãos e irmãs mais experientes.  Os formadores deverão ajudar os formandos e os professos a descobrir seus talentos, que podem e devem ser colocados a serviço da Igreja.

 

5. Nas reuniões da fraternidade convém que sejam feitos relatos das experiências pastorais dos irmãos. A partilha das tarefas missionárias encoraja os irmãos a consagrarem tempo para a difusão do mundo novo de Jesus.

 

6. Todas as tarefas missionárias e pastorais podem ser abraçadas pelos irmãos. Nada nos é estranho. Dentro das nossas prioridades os franciscanos deveriam ser preparados para fazer com critério uma pastoral familiar: pensamos aqui, nos assim chamados encontros de noivos, no acompanhamento de grupos de casais, na animação de tardes de reflexão sobre a educação e formação cristã dos filhos.

 

7. Há, pois, uma formação para ação missionária e pastoral a ser realizada, sem ativismo, sem um agir atabalhoado, mas uma ação ordenada e que parte da convicção interior e profunda. O Papa Francisco fala da ação dos cristãos. Devem evitar uma espiritualidade que se contenta com a oração e o intimismo. Precisam ter a coragem de ir pelo mundo. Francisco ouvindo o Evangelho que mandava ir pelo mundo gritou: “É isso que eu quero, que busco de todo o coração”.  Vejamos as palavras do Papa que fala de um renovado impulso missionário: “Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que rezam e trabalham. Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais sem uma espiritualidade que transforme o coração. Estas propostas parciais alcançam só pequenos grupos e não têm a força de ampla penetração, porque mutilam o Evangelho. É preciso cultivar sempre um espaço interior que dê sentido cristão ao compromisso e à atividade. Sem momentos prolongados de adoração, de encontro orante com a Palavra, de diálogo sincero com o Senhor, as tarefas facilmente se esvaziam de significado, quebrantamo-nos com o cansaço e as dificuldades, e o ardor apaga-se. A Igreja não pode dispensar o pulmão da oração, e alegra-me imensamente que se multipliquem, em todas as instituições eclesiais, os grupos de oração, de intercessão, de leitura orante da Palavra, as adorações perpétuas da Eucaristia. Ao mesmo tempo  é preciso rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista, individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação. Há o risco de que alguns momentos de oração se tornem uma desculpa  para evitar que se dedique a vida à  missão,  porque a privatização do estilo de vida  pode levar os cristãos a refugiarem-se em alguma falsa espiritualidade”  (EvangeliiGaudium, n. 262).

 

8. Concluindo este lembrete para a formação dos franciscanos no seu ir pelo mundo citemos ainda o Papa Francisco: “ A missão no coração do povo não é uma parte de minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado;  não é um apêndice ou um momento entre todos da minha vida. É algo que não posso arrancar de meu ser se não quero me destruir.  Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou nesse mundo. É preciso nos considerar como que marcados pelo fogo por essa missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisso se revela a enfermeira autêntica, o professor autêntico, o politico autêntico, aqueles que decidiram, no mais íntimo de seu ser, estar com os outros e ser para os outros.  Entretanto, se uma pessoa coloca a tarefa de um lado e a vida privada de outro, tudo se torna cinzento e vivera continuamente à procura de reconhecimento ou defendendo as próprias exigências. Deixará de ser povo”  (Idem, n. 273).

 

9.A Ordem Francisca Secular é uma escola de formação de missionários, de novos evangelizadores para a Igreja.

 

Questões

-  Em sua fraternidade você percebe um ardor missionário?

-  Como concretamente você e os seus irmãos de fraternidade podem ser missionários?

 

Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM

 

 

 

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