Terça, 21 Janeiro 2014 18:42

FORMANDO PARA A FRATERNIDADE

DEZEMBRO/2013

 

 

Continuamos nossos textos que se dirigem de modo particular aos ministros e formadores. Apoiamo-nos no Caderno de formação franciscana, n. 28, dos franciscanos de Portugal em que foi publicado o texto de Frei José Maria Arregui, OFM. O gozo e a responsabilidade do acompanhamento vocacional na vida franciscana.  Hoje nos deteremos em considerações que querem formar corações que sejam fraternos.

 

1. Para que o candidato à vida franciscana possa descobrir o projeto que Deus tem para com ele, os formadores contam com uma arma poderosa, ou seja, a própria vida da fraternidade, de irmãos e irmãs que se estimam de verdade. O candidato vai sendo envolvido numa teia de relacionamentos interpessoais, vai sendo mergulhado concretamente no amor que existe entre os irmãos. Não oferecemos aos que chegam apenas uma sala, um local de reuniões, mas irmãos, relações, um compromisso de pessoas que vivem no dia a dia o mistério da fraternidade ou do fraternismo. Os que recebem simpatizantes e candidatos já fizeram uma parte do caminho. A vida da Fraternidade será caracterizada pelo “mútuo cuidado”.

 

2. Quando São Francisco pensa na fraternidade, descreve os relacionamentos entre os irmãos a partir do amor da mãe para com seu filho. O que está por detrás dessa imagem maternal de fraternidade?  Francisco serve-se da imagem da criação onde são imprescindíveis uma mãe (seio acolhedor) e o Espírito (criador) que possibilita a vida e a própria criação. “A fraternidade só pode ser compreendida como uma realidade constantemente recriada pela graça do Espírito e graças à “mãe-irmão” que acolhe a obra do Espirito”.

 

3. Isso dá a entender que a fraternidade para além de um grupo que convive, trabalha e reza em comum, é um pequeno milagre diário de Pentecostes onde cada um nasce para a vida e se sente vivo graças à criação que torna possível a atitude mais que maternal de cada irmão.  Eu posso ser eu mesmo, graças à atitude do irmão que me recria e é como uma mãe que prolonga o diálogo criador de Deus. O irmão é um presente do Senhor, para que eu possa continuar a ser criado e a construir-me até chegar à maturação. Assim como a criança recém nascida necessita de escutar o diálogo amoroso de seus pais para continuar a crescer, também o candidato à nossa fraternidade precisa escutar o diálogo materno de seu irmão que, com sua vida torna possível que eu exista, cresça, ame e viva. Crer no irmão, confiar, oferecer-lhe nossa amizade e relação é fundamental e imprescindível para uma boa formação inicial.

 

4. Quando alguém chega à nossa Fraternidade comprometemo-nos a fazer com que ele possa crescer, amadurecer, fazer com que seja ele mesmo. A Fraternidade é regida pela lei do bem querer recíproco. É algo mais do que prestar pequenos serviços e dar presentes em dias especiais acompanhados de discursos. Novamente citamos Arregui tal qual: “Amar radicalmente significa esquecer-se de si mesmo, é gravar no coração o nome do outro, cuidar de seu coração, carregar os outros com as próprias mãos. Amar é respeitar o outro; significa viver preocupado com a sorte do outro; amar não significa simplesmente desejar que o outro seja feliz, nem dar-lhe coisas. Amar significa que a pessoa que vive conosco durante os anos, se converta em si mesma, que chegue a desenvolver o que tem e é desde sempre, segundo Deus”.

 

5. Terminamos essas reflexões com considerações de um documento da OFM que, mutatis mutandis pode ser aplicado aos terceiros em sua formação: “Se soubermos viver não por palavras, mas por obras, a verdadeira fraternidade entre nós mesmos; e se em vez de nos fecharmos, permanecermos abertos a todos os homens com quem entramos em contato, corresponderemos à expectativa de um mundo que, ameaçado pela despersonalização e pelo anonimato, aspira profundamente à comunidade. Nós podemos então com outros homens, cristãos ou não, desempenhar uma função de fermento na edificação duma humanidade que não seja a poeira de indivíduos solitários e despersonalizados, mas uma comunhão fraterna em Cristo”  (A Vocação da Ordem Hoje).

 

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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